Mídia

Mobilidade em primeiro lugar

Empresas têm cada vez mais priorizado o mobile antes dos computadores, com conteúdos sendo criados para celulares

Conceito que prioriza o mobile antes mesmo dos computadores tem caído nas graças das empresas. Mais do que deixar um site amigável para ser visualizado em um smartphone, a proposta é fazer com que o conteúdo e os recursos usados desde a criação sejam estrategicamente pensados para os celulares inteligentes.

 

A era da mobilidade que no passado recente era apenas uma projeção parece ter realmente se confirmado. O número de dispositivos móveis não para de crescer. E a tendência é que isso continue acontecendo cada vez com mais intensidade.

Dados da 28ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia de Informação nas Empresas, desenvolvida pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, revelam que até 2019 a quantidade de celulares no Brasil deve atingir a marca de 236 milhões de unidades. Hoje são cerca de 198 milhões de aparelhos inteligentes no País.

Se por um lado a pesquisa mostra esse crescimento, por outro, revela que a quantidade de computadores em uso no País é menor do que a de smartphones; até o fim de 2017 serão cerca de 166 milhões de notebooks, desktops e tablets.

Não é para menos que o comportamento das empresas tem mudado. O conceito mobile first nunca fez tanto sentido como agora. A proposta é projetar conteúdo web primeiramente para dispositivos móveis e somente depois para computadores. Dessa forma, sites, plataformas on-line, e-commerce, entre outros, já nascem com a “cara da mobilidade”. “As estratégias de mobile first contemplam sites mais ‘enxutos’, que disponibilizam apenas conteúdos e recursos que sejam relevantes e atendam às necessidades do usuário”, comenta o CEO e fundador da Kogut eBusiness, Márcio Kogut.

O executivo acredita que as empresas devem investir nessa tecnologia pensando sempre na real necessidade do consumidor final. “O que ele busca naquele momento irá atender às suas necessidades somente com o uso do celular, ou ele terá de utilizar a pesquisa por laptop para concluir o que precisa?”, questiona Kogut.

 

Três vantagens do mobile first

1ª REDUÇÃO NO TEMPO: Quando a plataforma é desenvolvida para dispositivos móveis – e não adaptada – o trabalho de criação será menor, isso porque todo o conteúdo já terá sido pensado para algo mais objetivo e uma experiência mais simples, o que facilita na hora de adaptar para outras telas.

2ª CONTEÚDO “DIRETO AO PONTO”: Ao criar um conteúdo para mobile, é preciso saber que recursos sem relevância saem de cena. Fica apenas o que realmente importa.

3ª SITE MAIS LEVE: Se o site nasce com perfil mobile, automaticamente, os recursos visuais pesados não são usados. Dessa forma, as configurações precisam ser mais dinâmicas, ou seja, mais leves e rápidas.

 

“Ser mobile first não é ter um site na versão desktop, adaptá-lo para a versão mobile e garantir que ele vai abrir corretamente e que as informações e conteúdos vão aparecer adequadamente como na versão desktop”

Diego Rubio, Diretor de Marketing da Reamp

 

 

 

Hiperconectados

O Facebook fez um estudo mostrando que nove em cada dez pessoas acessam a rede através do mobile, e 57% acessam apenas por meio de smartphones. A fidelidade dos consumidores às marcas tem diminuído, e hoje buscam por empresas que gerem experiências positivas ou ofereçam informações e ofertas relevantes de maneira fácil e rápida. “Os brasileiros estão entre os mais conectados do mundo e os que passam mais tempo on-line, então não adotar estratégias que priorizem e já pensem nessa nova realidade de consumo com certeza fará a empresa perder o território e destaque para seus concorrentes”, afirma o diretor de marketing da Reamp – empresa especializada em soluções para mídia e gestão de dados, Diego Rubio.

Rubio lembra que o Google, por exemplo, dá prioridade para sites responsivos na sua busca e afirma: “Se sua empresa tem bastante fluxo através de buscas e ainda não é mobile first, já passou da hora de rever sua estratégia”.

 

O melhor caminho

A pergunta que fica é: quem não priorizou o mobile tem como recuperar o tempo perdido? Para Rubio, adaptar um site é sempre possível, mas talvez não seja a melhor opção nem a mais barata. “Ser mobile first não é ter um site na versão desktop, adaptá-lo para a versão mobile e garantir que ele vai abrir corretamente e que as informações e conteúdos vão aparecer adequadamente como na versão desktop”, diz o especialista que completa: “O conceito de mobile first vai muito além disso, fazendo com que todo o planejamento do site, a disposição dos conteúdos, efeitos e animações, o formato e tamanho das informações já sejam planejados pensando na usabilidade e interatividade do consumidor através de dispositivos móveis”.

 

“As estratégias de mobile first contemplam sites mais ‘enxutos’, que disponibilizam apenas conteúdos e recursos que sejam relevantes e atendam às necessidades do usuário”

Marcelo Kogut, CEO e fundador da Kogut Ebusiness

 

O que vem por aí

Apesar de o mobile first ainda não ser uma realidade para milhares de empresas, pode abrir portas para outras estratégias e formatos. Isso pode ser afirmado, principalmente, quando se analisa que muitas ações surgiram a partir dessa percepção de ser necessário adaptar sites e outras plataformas para a mobilidade que o usuário ganhou. “Acredito que o mobile first foi um dos primeiros movimentos, mas depois vieram vários outros, como o boom no desenvolvimento de apps e até empresas 100% digitais, sem nenhuma interação humana”, exemplifica Rubio, da Reamp.

Essa mobilidade e rapidez exige muita flexibilidade das empresas, alterando drasticamente o modo como sempre atuaram. O especialista garante que uma grande tendência que está se mostrando, inclusive ainda mais fortes do que foram os apps, são os bots e a inteligência artificial. Diante dessa necessidade de ter informações rápidas e em qualquer lugar, a adoção de bots para atender os clientes, conversar e responder dúvidas ou recomendar produtos já é uma realidade para algumas empresas. “Uma prova disso é que grandes players como Google, Apple, Microsoft e Amazon estão cada vez mais investindo em suas próprias plataformas de inteligência artificial e assistentes virtuais”, diz.

 

Adaptação do mercado

É uma questão de escolha: ou a empresa muda ou será deixada de lado pelo consumidor que, hoje, detém grande poder digital, demanda respostas rápidas e opta por companhias que forneçam uma experiência personalizada. “Os investimentos recentes em omnicanal ampliaram esse poder de escolha, e as empresas precisam estar atentas à integração entre os diversos canais para uniformizar a jornada do cliente, proporcionando uma experiência igualmente satisfatória em qualquer canal que escolha para interagir”, reforça o vice-presidente sênior e gerente-geral para a América Latina da Axway, Marelo Ramos.

Ele lembra que, ao mesmo tempo, ter a capacidade de controlar as operações on-line e off-line com a mesma precisão, contar com sistemas que priorizem a análise de dados em prol da Inteligência Operacional, antecipando-se a eventuais falhas e respondendo rapidamente às demandas, é fundamental para que as companhias se mantenham relevantes nesse atual cenário de transformação digital.

 

“Os investimentos recentes em omnicanal ampliaram esse poder de escolha, e as empresas precisam estar atentas à integração entre os diversos canais para uniformizar a jornada do cliente, proporcionando uma experiência igualmente satisfatória em qualquer canal que escolha para interagir”

Marcelo Ramos, Vice-presidente da Axway

 

 

Originalmente veiculado na revista Gestão&Negócios, edição 102

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