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Reamper Lab #12: Pesquisas e análises com dados de social

Recebemos hoje Tarcízio Silva, Digital Research Director do IBPAD (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados)

No Reamper Lab dessa sexta-feira (25/08) recebemos Tarcízio Silva, Digital Research Director do IBPAD (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados) para um bate-papo sobre as possibilidades de pesquisa realizadas atualmente e como são feitas análises com dados abertos e de social media, o maior foco da empresa. O IBPAD tem como objetivo reunir conhecimentos de pesquisa e focar em questões sociais, e a partir da análise de dados, é realizado um monitoramento de mídias sociais.

O Big data têm crescido muito, e, para o especialista, a velocidade com que os termos mudam pode ser um problema para o mercado, já que muitas empresas oferecem monitoramento de mídias sociais simples e o consideram como Big data. Hoje, grandes empresas digitais como Facebook, Twitter e Yahoo conseguem obter em sua base mais dados do que qualquer empresa tradicional ou universidade. Isso traz uma crise para o meio acadêmico, já que é possível medir qualquer dado na internet e nas mídias sociais.

“Essa empolgação na mensuração relacionada às mídias sociais é justificável, porque existem coisas que hoje conseguimos coletar e que antes não conseguíamos de uma maneira tão fácil. Mas na verdade hoje existe uma concentração maior em plataformas como Facebook, e alguns problemas surgiram nos últimos anos para dar continuidade a esse trabalho de pesquisa. Precisamos entender como contornar a situação”, ressalta Tarcízio.

Quando falamos em Big data para análises sociais, três pontos devem ser debatidos: o primeiro é como esses dados são coletados e qual é a sua confiabilidade; o segundo é saber quem tem acesso aos dados e o terceiro é quais tipos de classificação e interpretação são aplicadas nessas análises. É extremamente importante hoje em dia que uma empresa entenda os dados em termos sociais e aplique em suas campanhas, para que funcionem de uma maneira positiva, não apenas tecnologicamente mas também socialmente. “É preciso pensar sobre Big data em termos sociais e vários tipos de problemas que podem existir, que em menor escala se aplicam ao monitoramento de mídias sociais”, diz.

Atualmente a base de dados da internet é muito grande, mas ela está concentrada em poucas empresas. Esse fator aumenta a disparidade e desigualdade de acesso aos dados, e na medida que o Facebook é utilizado hoje por quase 100% da população em alguns países, ele acaba gerando mais dados em tempo real nesse tipo de plataforma, e as informações obtidas podem ter mais poder do que os sensos realizados a cada dez anos pelo Estado.

Recentemente, a rede restringiu o acesso de dados ao comportamento dos usuários, tornando mais difícil para pesquisas monitorarem opiniões em perfis públicos, apenas em páginas e grupos. Para contornar esse problema, pesquisadores bolaram a estratégia de criar “jogos” e testes para entretenimento no Facebook, e a partir deles os usuários permitiam o acesso aos seus dados. Com esses jogos, é possível também traçar determinadas características psicológicas das pessoas e coletar informações valiosas para análises.

O especialista também nos contou sobre dois cases realizados pela empresa, um a partir do cruzamento de vários tipos de dados e outro a partir da criação de personas e de análise de público. O primeiro, realizado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) em parceria com a IBPAD, tinha como objetivo promover questões de gênero e raciais, na organização e nos países que fazem parte dele, além de iniciativas que melhorassem a questão em países menos desenvolvidos. Diversos métodos foram feitos para aplicar análise, como por exemplo as mídias sociais.

A partir daí, o IBPAD realizou um resgate histórico de dados internos da fundação relacionados à questão de gênero em todos os setores, para saber em quais documentos o assunto era mais abordado. Nas mídias sociais, foram analisados os debates sobre o tema, principais hashtags, mobilizações realizadas em diversos países, influenciadores sobre o assunto e formadores de opinião. Uma rede foi criada com 74 mil perfis que estabeleceram conexões, e foi possível elaborar um relatório detalhado sobre todos esses dados.

O outro case discutido foi o de criação de personas, onde a empresa tinha como desafio ajudar um salão de beleza que será inaugurado no Rio de Janeiro com uma lógica diferente dos salões tradicionais. O local conta com procedimentos rápidos e simples, sem espelhos e focado na experiência social dos clientes. Foram monitoradas também mulheres da região por meio do Instagram e Twitter, e assim foi possível realizar um recorte e analisar o que as futuras possíveis clientes falavam sobre qualquer assunto. “Uma tendência no monitoramento não é só monitorar mais a marca, mas fazer uma amostra de pessoas e monitorar tudo que elas falam sobre qualquer assunto, para poder entender elas”, diz Tarcízio.

Com essa analise foram descobertas vantagens e desvantagens do salão, as preferências das clientes, como gostam de serem vistas nas redes sociais e como otimizar o serviço de acordo com essas informações. Para Tarcízio, essa construção de personas é cada vez mais forte no monitoramento em mídias sociais e devemos pensar sempre na metáfora do microscópio e telescópio: às vezes podemos ver uma pessoa e analisá-la exclusivamente, mas também podemos ter uma visão geral de milhares, analisando tendências mais amplas de melhor maneira.

Obrigada pela participação, Tarcízio! Conte sempre com a gente!

 

 

 

 

 

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