Dados

Número de fraudes bancárias cresce 31,2% no primeiro semestre

Nosso CTO Manu Santana em entrevista para o Diário do Grande ABC falando sobre fraudes bancárias e dando dicas de como evitá-las

Desatenção é uma das principais motivações; mas instituições também devem colaborar com o cliente

Nos últimos anos, com a evolução de dispositivos eletrônicos como smartphones, notebooks, tablets e consequentemente, com as mudanças na concepção dos processos, como as transações bancárias, criminosos virtuais, também conhecidos como hackers, se sofisticaram e se adequaram para a realização de falcatruas, crescentes em todo o País. De acordo com o indicador Serasa Experian de Tentativas de Fraude, somente no primeiro semestre houve aumento de 31,2% nos golpes no setor bancário, totalizando 226,2 mil registros. Logo atrás do segmento financeiro estão serviços e telefonia, que verificaram aumentos de 5,8% (285,8 mil) e 1% (366,1 mil), respectivamente.

E foi justamente o expressivo crescimento de fraudes bancárias que impulsionou a alta de 7,5% no total de golpes em geral, segundo a Serasa. De janeiro a junho, foram registradas 950,6 mil tentativas de golpe. Isso significa que, a cada 16,5 segundos, um consumidor brasileiro é ludibriado por criminosos cibernéticos.

Para Emmanuel Santana, co-fundador da Reamp, empresa que oferece serviços para gestão de mídias e dados, a maior parte dos golpes é ocasionada por falha humana. “Muitas pessoas costumam clicar em coisas que sequer foram lidas, ou até mesmo, fornecer dados pessoais para sites falsos que são muito similares aos originais”.

A dica de Santana para se proteger e minimizar os riscos em transações bancárias é sempre colocar o “https://” antes do nome do site a ser acessado. “Não tem erro, é muito difícil forjar esse sistema”. Se estiver verde, significa que é seguro. Entretanto, se aparecer em vermelho, não é muito indicado navegar pelo endereço.

O especialista também recomenda que o usuário utilize navegadores confiáveis, por exemplo, Google Chrome e Mozilla Firefox, mantenha o antivírus atualizado e, principalmente, preste atenção antes de clicar ‘ok’ em toda janela que aparecer.

Na avaliação do mestre em Ciência na Segurança Cibernética da Universidade de Maryland (nos Estados Unidos) Victor Auilo Haikal, os “atacantes” estão mais sofisticados e, para evitar possíveis golpes, a ordem é se informar. “Além de excluir os spams da caixa de entrada do e-mail, é importante que os bancos também trabalhem com recomendações para os seus clientes.”

Porém, segundo o advogado especialista em Direito do Consumidor da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Santo André, Jairo Guimarães, em caso de constatação da fraude bancária, a instituição financeira tem a obrigação de colaborar com o correntista. “Tanto o banco quanto o cliente têm que comprovar a irregularidade. Já que, para o banco, muitas vezes o processo de transação foi feito de forma legal e, no caso do cliente, a responsabilidade em garantir a segurança digital é toda do banco”. Haikal segue pelo mesmo caminho. “O banco precisa dar informações ao consumidor para ambos descobrirem qual foi a ponta solta”. Os especialistas afirmam que, em caso de conflito, levar a situação à Justiça é opção.


Reconstituição do processo é fundamental para prova final

Em caso de suspeita de fraude, tanto a vítima quanto a instituição devem atuar juntos para a resolução do problema. Caso bem sucedido foi o do andreense Anderson Silva, 35 anos, que de repente verificou gastos de R$ 6.000 no cartão de crédito que só tinha R$ 300 de limite restante. “O banco percebeu que a movimentação de um dia foi totalmente anormal e, logo depois que entrei em contato, tive ressarcimento do dinheiro utilizado indevidamente.”

Por outro lado, quem ainda não solucionou problema foi a também andreense Flávia Bonatti, 41, que, após ter dificuldades em acessar sua conta pelo computador de casa, tomou um susto na hora do desbloqueio do acesso pela gerente da agência do banco que possui conta, o Santander. “Descobri que R$ 10 mil foram transferidos sem o meu consentimento prévio, foi um choque”.

Após o baque, Flávia entrou em contato com setor de fraudes do banco. O retorno prometido em 48 horas, segundo ela, não foi feito. Com isso, a vítima entrou em contato com a instituição novamente e foi informada de que o valor não seria ressarcido. “Me disseram que fui descuidada e alegaram que usei site falso.”

Questionada se o banco apresentou provas a respeito da transação, Flávia disse que não houve algo do gênero. “Fiz outra solicitação, pediram cinco dias úteis (até sexta-feira) mas não me deram resposta”, complementou. Para Jairo Guimarães, especialista em Direito do Consumidor, cabe ao banco provar o processo de transação, já que a instituição mantém o controle da operação. Por meio de nota sobre o caso, o Santander explica que “as transações contestadas serão mantidas, uma vez que foram efetuadas mediante validação das credenciais de segurança fornecidas pela instituição, as quais são de uso pessoal e intransferível.”

 

Originalmente veiculado em Diário do Grande ABC

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