Estratégia

Fake News: você já caiu nessa?

Termo utilizado para se referir às notícias falsas disseminadas na internet se popularizou nos últimos anos

Estamos vivendo na era da tecnologia. Por causa disso, hoje, temos acesso a qualquer informação que desejarmos com apenas alguns cliques. Acessamos informações por meio das redes sociais como Facebook e Twitter, aplicativos de mensagens como Whatsapp e inúmeros sites notícias de todos os tipos, o tempo todo. Podemos compartilhar, curtir, comentar ou apenas obter notícias sobre qualquer assunto. Parece muito fácil e prático, certo? No entanto, como tudo que evolui muito rapidamente, a tecnologia ainda não consegue impedir um problema causado por essa disseminação de informações: as notícias falsas, mais conhecidas como “fake news” em inglês.

As fake news, na verdade, não surgiram agora. Há séculos (literalmente) podemos presenciar casos de pessoas que disseminaram notícias falsas e causaram impactos inimagináveis na vida das pessoas. No entanto, com a chegada da internet, a prática se popularizou ainda mais. Hoje, as pessoas têm um acesso maior e mais rápido a qualquer informação, e podem ser facilmente manipuladas se não tomarem cuidado. Quantas vezes já nos pegamos, por exemplo, com vontade de experimentar um produto ou serviço que vimos alguma celebridade afirmando usar e adorar, mesmo sabendo que poderia não ser verdade?

O termo fake news tornou-se conhecido nos últimos tempos e entrou em diversos debates no último ano, principalmente em relação à política, durante o Brexit – saída do Reino Unido da União Europeia – e as eleições presidenciais dos Estados Unidos. Esses dois acontecimentos em 2016 abriram portas para milhares de notícias falsas que foram espalhadas ao redor do mundo, com um enorme número de acessos e compartilhamentos, a fim de causar confusão entre as pessoas.

Em ambos os casos, podemos analisar como essas notícias falsas têm um grande poder entre os usuários da internet e como a mídia pode ser tendenciosa muitas vezes. Por isso, com o crescimento das discussões sobre o assunto, as menções à expressão fake news aumentou 365% em 2017, e foi eleito o termo do ano pelo dicionário Collins.

 

Fake news e o problema dentro da publicidade

No mercado publicitário, as fake news também são um problema que merece atenção. Em um cenário onde grande parte da remuneração de anúncios é feita com base em cliques, torna-se ainda mais fácil para sites fraudulentos criarem informações falsas com a intenção de ganharem dinheiro.

Uma marca pode ser altamente prejudicada ao ser veiculada em sites ou ao lado de notícias mentirosas, pois terá sua imagem ligada à um conteúdo enganoso. Cada vez mais perdemos o controle sobre todas as notícias que são disseminadas diariamente na internet, mas é de extrema importância que os profissionais de marketing entendam a necessidade de combater as fake news.

Os sites com notícias falsas não se diferenciam em quase nada da mídia tradicional. O layout, maneira de escrever, títulos chamativos, URL e imagens são pensados de maneira que pareça o mais verdadeiro possível, fazendo com que os usuários acreditem no que estão lendo e continuem compartilhando a informação em suas redes sociais. Depois de espalhada, é difícil de conter uma notícia falsa. Por isso, é importante que medidas rígidas sejam tomadas para acabar com esse tipo de problema.

 

Identificando as fake news

Como saber se uma notícia é falsa ou não? Por serem muito parecidas com as notícias normais, muitas vezes, podemos não perceber logo de cara que o que estamos lendo é fake. Pensando nisso, a jornalista Claire Wandle criou uma lista com sete tipos de fake news que podemos identificar para combater:

  • Sátira ou paródia: normalmente não tem a intenção de causar mal a alguém e é escrita de maneira irônica, mas pode enganar;
  • Falsa conexão: quando manchetes, imagens ou legendas dão falsas dicas do que o conteúdo realmente se trata;
  • Conteúdo enganoso: informações mentirosas são escritas na notícia para manipular a opinião das pessoas sobre algo;
  • Falso contexto: quando um conteúdo verdadeiro é compartilhado em um contexto falso. É muito utilizado, por exemplo, em frases faladas por alguém;
  • Conteúdo impostor: quando uma fonte tem seus nomes utilizados em uma afirmação que não foi feita por ela;
  • Conteúdo manipulado: uma informação ou ideia é verdadeira, mas é manipulada para enganar os leitores;
  • Conteúdo fabricado: conteúdo totalmente falso, criado com a intenção de gerar uma confusão entre o público e disseminar uma mentira.

Todos esses tipos de notícias podem ser divulgadas sem que nós, ao menos, nos demos conta de que são falsas. Por isso, a Federação Internacional das Associações e Instituições de bibliotecária (IFLA), deu algumas dicas antes de compartilhar a informação, como por exemplo: analise a fonte da informação e veja se ela é realmente confiável; leia a matéria e não apenas o título, para ter certeza de que o conteúdo é verdadeiro; preste atenção nos autores e na data da publicação; questione se o que foi falado pode ser apenas uma piada ou se é realmente um assunto sério.

 

 

Combatendo as fake news

A pesquisa “Trust in News”, realizada pela Kantar Brasil Insights, revelou que 39% dos entrevistados usam mais fontes de notícia atualmente do que já um ano, assim como 73% dos entrevistados consideram o jornalismo fundamental para a democracia. Além disso, 78% dos respondentes afirmam utilizar o meio online para se informar, e mais de 60% consideram as mídias sociais como menos confiáveis para o consumo de notícia.

Os números mostram que, apesar o crescimento na possibilidade de conseguirmos informações, cada vez mais, os usuários estão mais atentos ao conteúdo que estão lendo e sua veracidade. Por isso, é papel da imprensa criar maneiras de continuar passando credibilidade para seus leitores e tomem medidas para combater esse mal.

No mês de abril, o Facebook suspendeu 30 mil contas francesas que compartilhavam notícias falsas por causa da disputa presidencial do país. Poucos meses depois, foi afirmado pela própria empresa, juntamente com o Google e Twitter, que contas russas estavam compartilhando notícias falsas a fim de atrapalhar o resultado das votações nos EUA. Por isso, o Google tomou a medida de disponibilizar uma avaliação sobre as publicações na aba “notícias” como verdadeira ou falsa por meio da tecnologia Jigsaw.

A luta contra as fake news continua por parte de todos os canais de comunicação que têm poder sobre a disseminação de informações. Em outubro, o Facebook anunciou também sua parceria com o site Wikipédia para acabar com notícias falsas. A partir de agora, as páginas que publicam notícia na rede social ganham um símbolo (“i”) em cima de suas publicações, com um resumo da Wikipédia sobre o veículo e sua confiabilidade. Assim, o usuário poderá decidir se deve confiar ou não em determinado site.

Na última segunda-feira (18/12), foi aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as regras para a campanha de 2018 com o objetivo de combater as fake news. De acordo com o Estadão, os textos, que ainda podem sofrer alterações até março, falam sobre gastos de campanha, remoção de conteúdo publicado na internet, identificação de propaganda eleitoral “impulsionada” nas redes, entre outros temas. Em relação às propagandas eleitorais na internet, as ordens judiciais de remoção de conteúdo serão feitas caso sejam encontradas violações às regras eleitorais ou ofensas.

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