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Especial fraude digital: o que é e como atinge a publicidade?

Na primeira edição do nosso especial sobre fraude digital, explicamos o que é, como funciona e como ela atinge a publicidade

A tecnologia, ao longo dos anos, vem nos trazendo inúmeras possibilidades em todas as áreas. No entanto, sabemos também que a internet é um ambiente perigoso. Ao mesmo tempo que ela facilita e otimiza o trabalho de diversos setores, ela também abre espaço para golpes e pode colocar seus usuários em risco. Pensando nisso, durante a semana, faremos um especial no blog sobre a fraude digital, uma das maiores preocupações de empresas online hoje em dia. Vamos abordar assuntos como o que ela é, como atinge a publicidade, quais casos já trouxeram maiores prejuízos no setor e como podemos fazer para evitá-la.

A fraude digital é uma das maiores inimigas do mundo online atualmente, e pode atingir um usuário de diversas maneiras, desde o compartilhamento de links falsos que inserem vírus nos dispositivos das pessoas até cadastros falsos com dados pessoais, transições bancárias e hackers que podem acessar todas as informações de um computador ou dispositivo móvel.

Não é difícil se tornar um alvo de criminosos no meio digital. De acordo com o Indicador Serasa Experian de Tentativas de Fraude, há cada 16 segundos é registrada uma tentativa de fraude no Brasil, seja ela física ou online. De janeiro a setembro de 2017, foram cerca de 1.478 milhão de tentativas, 10,7% maior que o mesmo período em 2016. As tentativas de golpe em e-commerce estão entre as mais comuns apontadas pelo indicador, perdendo apenas para compra de celulares com documentos falsos ou roubados e emissão de cartões de crédito.

De acordo com a CyberSource, empresa especializada em serviços de gerenciamento de fraudes e pagamentos online para comerciantes de grande e médio porte, as fraudes digitais mais recorrentes na América Latina em 2017 incluem roubo de dados pessoais e informações que permitem o uso de cartões de crédito e contas bancárias, realizando transações não autorizadas.

Daniel Nascimento, consultor de segurança digital, já foi um dos hackers mais atuantes do país e, em entrevista para a Exame, explicou como funcionam a maioria dos golpes online e o que pode ser feito para evitá-los:

 

 

Como a fraude digital afeta na publicidade?

Anúncios digitais também são vítimas da fraude. A publicidade online vem enfrentando o problema que pode impactar de diferentes maneiras. Muitos sites, por exemplo, são criados com o objetivo de forjarem impressões e cliques em anúncios, fazendo com que o anunciante pague por interações que não são feitas por usuários reais.

Normalmente, é realizada quando uma pessoa cria tráfego de anúncios falsos em seu site, mostrando fora da tela de exibição de um usuário ou criando diversas estratégias fictícias de distribuição de anúncios que nunca são realmente vistos. O Comitê de Combate à Fraude, criado pela IAB Brasil, estima que no mercado americano as perdas em fraude digital estejam entre 6 e 8 bilhões de dólares por ano. “Essas diversas fraudes estão diminuindo os resultados dos anunciantes, removendo postos de trabalho e limitando a capacidade de os veículos se remunerarem”, ressalta.

Os tipos de fraude digital mais comuns no setor da publicidade são:

  • Impressões (CPM) falsas: inclui anúncios escondidos, sites falsos e fraudes em vídeos, anúncios pagos e retargeting.
  • Search (CPC): utilizam as palavras chaves mais caras, com CPC mais alto, e direcionam para sites próprios criados por máquinas.
  • Ad Stacking: técnica de fraude na qual o publisher empilha vários anúncios uns em cima dos outros, como se estivessem em um único inventário, deixando todos eles 100% cobertos. Apenas o anúncio que está na frente é visível, mas cada um deles é cobrado como uma impressão.
  • Afiliados (CPA): máquinas que simulam comportamento de seres humanos, preenchendo formulários em sites de publishers, por exemplo, e enganando sites para fazer parte do cookie pool de “pessoas interessadas”.
  • Injeção de Anúncios e Adware: software que é instalado como plug-in em browsers, que apresenta anúncios falsos ao usuário e não geram nenhum retorno para o dono do site.
  • Falsificação de domínios: talvez o mais comum e mais difícil de ser pego entre as fraudes. Trata-se da troca de URL de sites famosos, independentemente de estarem em whitelists ou private ad exchanges, e faz com que anunciantes pensem que sites falsos sejam sites qualificados para entrega.

 

 

De acordo com dados da Forrester, estima-se que US $7,4 bilhões foram desperdiçados em anúncios de exibição em 2016, um valor que aumentará para US $10,9 bilhões até 2021. A fraude online assume muitas formas, como fazendas de cliques, bots e até mesmo anúncios que aparecem ao lado de conteúdos inadequados para a sua marca, como discursos de ódio ou terrorismo.

Um relatório realizado pela Pixalate, empresa de tecnologia de anúncios e prevenção de fraude, afirma que o Brasil está em segundo lugar nas maiores taxas de fraude publicitária, com 36% das impressões programáticas negociadas sendo fraudulentas nos primeiros três meses de 2017 e perdendo apenas para o Japão, com 81% das suas impressões.

 

Fonte: Pixalate

 

Fraudadores vão onde o dinheiro está. Vídeos, atualmente, representam 45% dos gastos e são responsáveis por 64% das fraudes na publicidade. Índia é o país com a maior taxa de fraudes em vídeo chegando a 34%, seguida dos EUA com 27%.

 

Fonte: Pixalate

 

Todo esse dinheiro investido em publicidade que nunca será vista por usuários mostra o quanto é fundamental que anunciantes, agências, publishers e veículos se envolvam no combate à fraude, protegendo sua empresa de um problema que vem causando prejuízos em todo o setor.

Eliminar o mal pela raiz é quase impossível, mas algumas ações permitem monitorar e controlar de maneira proativa esse tipo de problema, reduzindo o impacto negativo nos investimentos e resultados de campanhas. “Se sabemos que um robô pode facilmente clicar no seu anúncio e visitar sua página, quando ele é impedido de agir deverá haver uma redução no volume de cliques e visitas. Contudo, também pode-se esperar uma melhor taxa de conversão e de entendimento do comportamento do consumidor. Alcançando pessoas reais em sites reais, serão removidos ruídos importantes dos KPIs, permitindo maior foco e ações com base em resultados verdadeiros”, explica David Reck, CEO da Reamp.

Mas como podemos ter certeza de que a fraude digital atinge números tão grandes no setor da publicidade? No próximo post especial sobre o assunto, vamos abordar os principais casos de fraude digital de anúncios que ocorreram nos últimos anos com grandes empresas. Fiquem ligados!

 

#EspecialFraude

2 Comments

2 Comentários

  1. Vinicius

    2 de agosto de 2018 at 5:39 pm

    A fraude em anuncios tem se tornado um problema cada vez maior. Li sobre uma empresa disposta a mudar a forma como funciona a publicidade usando blockchain. Caso alguem se interesse: https://medium.com/varanida/ad-fraud-varanida-wants-to-eliminate-wasted-advertising-spend-4ba20903d847

    • Equipe Reamp

      3 de agosto de 2018 at 1:47 pm

      Olá Vinicius, tudo bem?
      Realmente o blockchain é uma grande aposta para o mercado publicitário e pode ajudar em diversas questões.
      Obrigado por compartilhar o material!
      Nós também já fizemos um post sobre o assunto, analisando comO o blockchain pode ser útil dentro de todo o ecossistema de mídia.
      Se ainda teve a oportunidade, dá uma olhadinha! =)
      http://www.reamp.com.br/blog/2018/01/2018-o-ano-do-blockchain-na-publicidade/
      Abraço,
      EQUIPE REAMP

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