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Inteligência Artificial criará mais empregos do que elimina até 2020

Pesquisa realizada pela Gartner mostra que tecnologias serão cada vez mais incorporadas no dia a dia das empresas, impactando todos os setores

Os próximos anos serão cruciais para a dinâmica de empregos relacionados à Inteligência Artificial. Com o aumento de tecnologias como a Internet das Coisas, Realidade Virtual e Machine Learning, que são tendências para 2018 no marketing digital, a inteligência artificial está, cada vez mais, crescendo no mercado da publicidade e em diversas outras áreas de atuação. De acordo com pesquisa realizada pela Gartner, “Previsões 2018: AI e o futuro do trabalho”, a tecnologia se tornará motivadora de emprego até o ano de 2020, chegando a 2,3 milhões de empregos novos enquanto elimina 1,8 milhão.

“Muitas inovações significativas no passado foram associadas a um período de transição de perda de emprego temporário, seguido de recuperação. Então, a transformação de negócios e IA provavelmente seguirão esta mesma rota”, disse Svetlana Sicular, vice-presidente de pesquisa da Gartner. A AI melhorará a produtividade de muitos trabalhos, eliminando milhões de posições de nível médio e baixo, mas também criando milhões de novas posições altamente qualificadas, de gerenciamento e até mesmo de entrada e de baixa especialização técnica.

Durante todo o ano de 2017, pudemos ver avanços significativos na área de inteligência artificial. As empresas já começaram a entender o impacto positivo que ela pode causar e passaram a utilizá-la ainda mais no cotidiano de trabalho. Espera-se que, daqui alguns anos, todas as empresas tenham assistente virtual inteligentes, dispositivos de voz sejam um diferencial, e tecnologias que antes pareciam inalcançáveis como reconhecimento facial ou relatórios elaborados por computadores sejam algo comum.

Ainda de acordo com a pesquisa da Gartner, algumas previsões podem ser feitas sobre a inteligência artificial nos próximos anos. A aplicação da tecnologia em trabalhos com menos rotina e que possuem menos repetitividade de tarefas, por exemplo, começará a render mais benefícios. Em 2022, um em cada cinco trabalhadores envolvidos em tarefas não-rotineiras dependerão da inteligência artificial para realizar um trabalho, já que o uso desses robôs se tornará uma vantagem competitiva.

Alavancando tecnologias como AI e robótica, os varejistas usarão automatização de processos inteligentes para identificar, otimizar e automatizar atividades que necessitam de mão de obra repetitiva e que são atualmente realizadas por seres humanos, reduzindo os custos trabalhistas através da eficiência para centros de distribuição e lojas.

Outra previsão é de que até 2022, os esforços do varejista multicanal para substituir vendedores por inteligência artificial não terão êxito, embora o caixa e os empregos operacionais sejam interrompidos. No entanto, a pesquisa sugere que muitos consumidores ainda preferem interagir com um vendedor experiente ao visitar uma loja, particularmente em áreas como materiais para a casa, farmácia e cosméticos, onde os vendedores podem causar um impacto significativo na satisfação do cliente. Embora o trabalho para atividades operacionais seja reduzido, é provável que os varejistas tenham dificuldade em eliminar os vendedores tradicionais de suas lojas.

“Os varejistas serão capazes de fazer economias, eliminando empregos altamente competitivos e transacionais, mas precisarão reinvestir algumas dessas economias em vendedores que possam melhorar a experiência do cliente”, disse Robert Hetu, diretor de pesquisa da Gartner. Cada vez mais, a inteligência artificial será vista como uma forma de otimizar essas experiências, ao invés de apenas excluir os seres humanos de todo o processo.

Por esse motivo, a pesquisa prevê também que, em 2021, o aumento de AI gerará US$2,9 trilhões em valor comercial, e economizará 6,2 bilhões de horas de produtividade do trabalhador. No entanto, algumas indústrias, como outsourcing, estão vendo uma mudança fundamental em seus modelos de negócios, pelo que a redução de custos da AI e a melhoria da produtividade resultante devem ser reinvestidas para permitir a reinvenção e a leitura de novas oportunidades de modelos de negócio.

“A AI pode assumir tarefas repetitivas, liberando humanos para outras atividades, mas o trabalho em conjunto de humanos com AI exigirá um reinvestimento e reinvenção, em vez de simplesmente automatizarem as práticas existentes”, disse Mike Rollings, vice-presidente de pesquisa da Gartner. “Ao invés de ter uma máquina replicando as etapas que um ser humano executa, todo o processo de decisão pode ser repensado para utilizar as forças e fraquezas relativas da máquina e do humano, maximizando a geração de valor e redistribuindo a tomada de decisão para aumentar a agilidade”.

 

 

Inteligência artificial já impacta o nosso dia a dia

Apesar de algumas previsões ainda parecerem um pouco distantes, hoje em dia já podemos ver diversas mudanças acontecendo em indústrias de todas as áreas por causa da inteligência artificial. A CES 2018, maior feira de tecnologia do mundo, aconteceu na última semana em Las Vegas (EUA) e grandes empresas puderam apresentar inovações relacionadas à inteligência artificial.

A Samsung, por exemplo, apresentou uma TV que terá uma integração do Bixby, assistente pessoal dos smartphones da Galaxy, com a plataforma das smart TVs. O objetivo da empresa é utilizar a inteligência artificial dentro da própria casa dos consumidores, fazendo com que a assistente virtual receba comandos por voz e realize tarefas nos aplicativos que estão instalados na TV (buscar algum canal, procurar vídeos no Youtube de atores específicos, etc).

Além disso, a tecnologia também permitirá com que a TV “converse” com os outros eletrodomésticos da casa, como por exemplo, mostrando na tela o que há dentro da geladeira. A concorrente da empresa, LG, também anunciou uma parceria com o Google na criação de sua própria plataforma de TV que se conecta com a assistente virtual, realizando tarefas por comando de voz.

A discussão sobre assistentes virtuais foi uma das mais comentadas durante todo o evento. Segundo dados da iSpot.TV, o orçamento do Google em investimento publicitário foi de US $42 milhões para a promoção do Google Home no último ano. Enquanto isso, a Amazon investiu mais de US $32 milhões para o aumento das vendas da Alexa, sua assistente virtual. De acordo com a Meio&Mensagem, o assunto foi pauta durante o CES e foi possível perceber uma divulgação grande por parte do Google. “Os assistentes de voz são uma realidade no mercado. A CES mostra isso com o número de produtos consolidados com essa função. A cada ano, a tecnologia vem ganhando ainda mais espaço e conquistando outros segmentos” afirma Sergei Epof, diretor de marketing da Panasonic no Brasil, em entrevista para o site.

Marcelo Tripoli, vice-presidente de digital marketing da MCKinsey & Company, também em entrevista ao Meio&Mensagem, destacou a mudança que está acontecendo da tela do smartphone para a Internet das Coisas, e como ela poderá afetar a publicidade. “A Alexa, por exemplo, não vai apenas sugerir o molho de tomate, mas embarcar ali a indicação de uma determinada marca. Essa migração da atenção das pessoas do mobile para uma infinidade de outros objetos terá um impacto direto na publicidade, já que o tempo de navegação e atenção que está em discussão”, disse.

A tecnologia de assistentes virtuais que permitem a conversa com usuários pelo comando de voz será cada vez mais uma tendência entre as marcas. O impacto pode ser causado em diversas áreas, desde o varejo até a publicidade, onde os anúncios serão mais interativos. Por isso, é importante que as marcas estejam atentas às novas tecnologias e se adaptem para uma otimização de seus serviços.

O setor automobilístico também está passando por grandes mudanças com a AI. Grandes marcas de todo o mundo estão inserindo a tecnologia nos seus veículos, e os assistentes virtuais como a Alexa, o Google Assistente, Cortana (da Microsoft) e Siri (da Apple), terão capacidade de aprender funções como acender faróis, obter mapas e direções e controlar a rádio, por exemplo.

O e-Palette, por exemplo, foi anunciado pela Toyota em parceira com marcas como a Amazon, Uber, Pizza Hut e Mazda, e trata-se de veículos autônomos que serão programados para fornecerem experiências como compras e showrooms enquanto os clientes estiverem no trânsito. Diversas tecnologias foram anunciadas no evento, de acordo com o Propmark, e as marcas prometem estar cada vez mais integrando a inteligência artificial em seus serviços para uma experiência otimizada.

 

Carro elétrico da Toyota em parceria com a Pizza Hut. Fonte: Propmark

 

*Parte desse post foi originalmente veiculado em Gartner.

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