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“Big Five” da tecnologia dominarão a vida digital em um futuro previsível

Empresas de tecnologia são consideradas as mais poderosas do mundo e estão crescendo em todos os setores

Existe um jogo que as pessoas do Silicon Valley gostam de jogar. Vamos chamá-lo de “quem está perdendo?”

Atualmente, existem quatro líderes incontestáveis da indústria de tecnologia de consumo: Amazon, Apple, Facebook e Google, agora uma unidade de uma empresa-mãe chamada Alphabet. Há também mais uma, a Microsoft, cuja influência esteve em decadência, mas agora está se recuperando.

No entanto, perguntar “quem está perdendo” entre essas empresas, conhecidas como “Big 5” da tecnologia, faz com que a verdade maior suma sobre elas, que agora dominam tudo o que acontece na tecnologia. Quem está realmente perdendo? Vendo todo o cenário, nenhuma delas. Não em comparação com o resto da indústria de tecnologia, o resto da economia e, certamente, na influência que cada uma delas tem em nossas vidas.

Profissionais de tecnologia gostam de imaginar sua indústria como um mar cheio de rupturas, em que cada vencedor é vulnerável ao ataque surpresa de algum inimigo novo, até agora inimaginável. “Alguém, em algum lugar, está chegando até nós”, diz Eric Schmidt, presidente executivo da Alphabet.

No entanto, durante a maior parte da última década, a maioria dessas cinco “gigantes” da indústria conseguiram escapar desse problema. E você pode apostar que essas empresas americanas de tecnologia irão continuar ganhando. Elas estão ficando maiores, evoluindo ainda mais em seus setores de venda, entrando e se tornando mais poderosas em novos setores e se distanciando cada vez mais da concorrência.

Embora a competição entre as cinco permaneça feroz – e cada ano, cada uma delas se destaca mais – torna-se cada vez mais difícil imaginar como qualquer uma delas, muito menos duas ou três, podem perder sua crescente influência em todos os aspectos de negócio e da sociedade na América.

“As Big 5 vieram na hora certa para desenvolver a base de usuários”, disse Geoffrey G. Parker, professor de business na Tulane University e co-autor de Platform Revolution, um livro que explica alguns motivos dessas empresas conseguirem continuar seu domínio. “As cinco montaram uma onda perfeita de mudanças tecnológicas – uma diminuição incrível no custo de TI, muito mais conectividade de rede e o aumento de telefones celulares. Esses três fatores se juntaram, e ali as empresas estavam perfeitamente preparadas para crescerem e aproveitarem a mudança”.

Sr. Parker observa também que o poder das Big Five não impede que novas empresas de tecnologia se tornem enormes. A Uber pode aumentar a indústria de transporte, Airbnb de hospitalidade e a Netflix está cada vez mais empenhada em dominar o negócio de entretenimento. Mas, se esses novos gigantes vierem, provavelmente será para ficarem ao lado das Big Five de hoje, e não substitui-las.

Na verdade, as cinco empresas estão bem protegidas contra as novas que, na maioria das situações, o surgimento delas apenas solidificam sua liderança. Considere que a Netflix hospeda seus filmes na nuvem da Amazon e o braço de investimento do Google tem um enorme investimento na Uber. Ou considere também todos os pagamentos no aplicativo que a Apple e o Google realizam em suas app stores e todos os dólares de marketing que o Google e o Facebook colhem de startups procurando fazer com que os usuários façam downloads de seus aplicativos.

Isso mostra a capacidade indomável das Big Five. Cada uma dessas empresas criou diversas tecnologias enormes e centrais para quase tudo que fazemos com os computadores. No jargão tecnológico, eles possuem muitas das “plataformas” mais valiosas do mundo – os blocos básicos e necessários que qualquer outro negócio, até mesmo os concorrentes, dependem. Não é possível escapar dessas plataformas. Você pode escolher sair de uma ou duas delas, mas juntas, formam uma malha dourada em cima de toda a economia.

As plataformas das Big Five abrangem a chamada tecnologia antiga – o Windows ainda é o rei dos desktops, o Google controla a busca na web – e novas tecnologias, como o Google e a Apple controlando os sistemas operacionais de telefones celulares e os aplicativos que são executados neles; Facebook e Google controlando o negócio de publicidade na internet; e Amazon, Microsoft e Google controlando a infraestrutura da nuvem em que muitas empresas iniciam.

A Amazon possui uma infraestrutura de compras e encomendas que está se tornando central para o varejo, enquanto o Facebook continua acumulando maior poder nas plataformas mais fundamentais: as relações sociais humanas.

Muitas dessas plataformas geram o que os economistas chamam de “efeito network” – à medida que mais pessoas a utilizam, elas continuam ficando mais indispensáveis. Porque você conversa usando o Facebook Messenger ou o Whatsapp, também de propriedade do Facebook? Porque é lá que todos os outros estão!

Suas plataformas também dão a cada uma das cinco, uma enorme vantagem ao buscarem novos mercados. Veja como o serviço de música de transmissão “late-to-market” no mercado da Apple conseguiu atrair 10 milhões de assinantes em seus primeiros seis meses de operação, ou como o Facebook aproveitou a popularidade de seu aplicativo principal para fazer os usuários baixarem o aplicativo autônomo do Messenger.

Há dados enterrados nas plataformas, também uma fonte rica para novos negócios. Isso pode acontecer diretamente – por exemplo, o Google pode aproveitar tudo o que aprende sobre como usamos nossos telefones para criarem um mecanismo de inteligência artificial que melhore nossos telefones. Ao descobrir o que é popular na sua loja de aplicativos, a Apple pode obter informações sobre quais recursos adicionarem ao iPhone.

“De certa maneira, muitos dos custos de pesquisa e desenvolvimento são suportados pelas empresas fora de suas quatro paredes, o que lhes permite fazer um melhor desenvolvimento de produtos”, disse Parker.

Isso explica porque as visões dessas empresas são tão expansivas. De várias maneiras pequenas e grandes, as Big Five estão empurrando para as indústrias de notícias e entretenimento; fazendo ondas em saúde e finanças; construindo carros, drones, robôs e mundos imersivos de realidade virtual. Por que fazer tudo isso? Como suas plataformas – os usuários, os dados e todo o dinheiro que eles geram – fazem com que esses reinos distantes pareçam estar à sua disposição.

O que não quer dizer que essas empresas não podem morrer. Pouco tempo atrás, as pessoas pensavam que a IBM, Cisco Systems, Intel e Oracle eram imbatíveis em tecnologia. Elas ainda são grandes empresas, mas muito menos influentes do que eram.

Um cético poderia apresentar algumas ameaças significativas para os cinco gigantes. Uma possibilidade pode ser a crescente concorrência do exterior, especialmente as empresas chinesas de hardware e software que estão acumulando plataformas igualmente importantes. Depois, há a ameaça de regulamentação ou outras formas de intervenção do governo. Os reguladores europeus já estão perseguindo diversas das Big Five sobre temas antitruste e privacidade de informações.

Mesmo com essas dificuldades, não está claro se a dinâmica maior pode mudar muito. Digamos que a Alibaba, gigante chinesa de comércio eletrônico, eclipsa o negócio da Amazon na Índia – tudo bem, ela ainda se satisfaz com o resto do mundo.

A intervenção do governo, muitas vezes, limita um gigante a favor do outro: se a Comissão Europeia decide lutar contra o antitruste, a Apple e a Microsoft poderiam se beneficiar. Quando o departamento de Justiça acusou a Apple de orquestrar uma conspiração para aumentar os preços do e-book, quem ganhou com isso? A Amazon.

Então, é melhor se acostumar com esses cinco. Quem está perdendo, afinal? Nenhum deles. Nem em breve.

 

 

Crescimento da tecnologia ao longo da década

Porque as empresas consideradas como Big Five são mais valiosas do que a Exxon e a Chevron?

Uma década atrás, a gigante americana de tecnologia ExxonMobil foi considerada a empresa mais valiosa do mundo por capitalização de mercado. Hoje, é superado por quatro gigantes tecnológicos: Apple, Alphabet (empresa-mãe da Google), Microsoft e Amazon. Agora, uma nova geração de empresas superou as gigantes da energia. O que aconteceu?

A mudança na liderança nos gráficos de avaliação vem tanto do aumento das empresas de tecnologia como também da queda simultânea das empresas de energia. Apple, Alphabet, Microsoft e Amazon possuem limites de mercado de US$824 bilhões, US$773 bilhões, US$708 bilhões e US$690 bilhões, respectivamente.

A Apple é uma marca conhecida pela venda de celulares e computadores, que são produtos de qualidade, mas que não são superiores em todos os aspectos dos concorrentes. No entanto, a empresa está nadando em dinheiro devido a suas altas margens (lucro líquido de US$20 bilhões em US$88 bilhões de receita do quarto trimestre) e mantém uma imagem que dominará o futuro do hardware de tecnologia do consumidor.

Alphabet é conhecida como proprietária de um mecanismo de pesquisa e como vendedor de espaço publicitário. Ela também acumula lucros, embora não no trimestre mais recente (- lucro líquido de US$3 bilhões em US$32 bilhões de receita do quarto trimestre), mas o truque para avaliação é que, apesar de sua imagem como empresa de vendas de anúncios, continua a convencer os investidores de que irá possuir o futuro da web.

A Microsoft é vista como o suporte das empresas de software, porque o sistema operacional e os programas do Office estão em toda parte. Anos depois, parece ter perdido um pouco sua capacidade de crescimento, mas ainda traz muita receita (- US$6,3 bilhões de receita líquida com receita de US$29 bilhões no quarto trimestre), mas todos sabem que quase todos os computadores utilizados para trabalho ou negócios no mundo traz o Microsoft Office.

A Amazon é pensada como uma varejista, mesmo que também opere um negócio de computação em nuvem dominante no mercado e até distribua filmes originais e séries de televisão. No entanto, no relatório de ganhos da Amazon na semana passada, anunciou um lucro de mais de US$1 bilhão pela primeira vez em seus 23 anos de história (quase US$2 bilhões de lucro líquido em US$60 bilhões de receita no quarto trimestre). Embora a Amazon não domine o varejo por qualquer meio, ela conjurou um sentimento entre muitos investidores que governará o setor em breve.

Para os gigantes da tecnologia, a avaliação é sobre o futuro. Também ajuda que cada um desfrute de um quase monopólio em pelo menos uma indústria: vendas de música, pesquisa na web e vendas de livros, por exemplo. Da mesma forma, para gigantes da energia, a avaliação é sobre o futuro – um futuro que muitos especuladores e investidores vêem como fracos.

Hoje em dia, as empresas mais valiosas do mundo são todas empresas de tecnologia. A natureza do comércio está mudando, e quanto mais rápido os investidores entenderem que hoje toda empresa é de tecnologia, mais rápido terão sucesso em seus negócios.

 

Parte do conteúdo foi retirado de Forbes – artigo 1 e artigo 2

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