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Google Chrome instala adblock em seu navegador

Entenda como o bloqueador de anúncios funciona e como impacta o mercado de publicidade digital

Transparência e uma boa experiência do usuário são essenciais no mercado de marketing digital.  Por isso, na última semana, o Google Chrome adotou oficialmente um adblock nativo com o objetivo de impedir que anúncios considerados intrusivos e “irritantes” sejam exibidos.

O recurso, que está sendo testado desde julho de 2017, foi ativado no navegador e não irá bloquear todos os banners, somente os de sites que desrespeitam as regras definidas pela Coalition for Better Ads (CBA), união de anunciantes e plataformas, criada para buscar uma publicidade menos invasiva e é composta por 25 empresas, incluindo Google, Facebook, Reuters, P&G, Microsoft, Publicis, entre outras, além da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA).

No desktop, as propagandas consideradas indesejadas incluem vídeos e áudios que reproduzem automaticamente, anúncios que não descem com o “scroll” da página, pop ups que cobrem a tela inteira e anúncios que trazem um relógio com tempo antes do conteúdo ser mostrado, por exemplo.

 

Fonte: Tecnoblog

 

Já nos smartphones, a lista inclui também, além dos quatro citados acima, anúncios que ocupam mais de 30% do espaço de conteúdo, banners com luzes que piscam ou trocam de cor rapidamente, anúncios de tela cheia com contagem regressiva que aparecem depois de clicar em um link e propagandas de tela cheia durante a rolagem da página.

 

Fonte: Tecnoblog

 

A iniciativa tem como principal objetivo impedir propagandas que impeçam uma boa experiência do usuário. Além dela, novas medidas foram adotadas este ano também pelo Facebook e Youtube e uma nova lei de proteção de dados do usuário vai entrar em vigor na Europa, reforçando a importância do mercado se adaptar às novas regras para um trabalho menos intrusivo e que traga resultados positivos.

 

Mas como esse adblock funciona e quais impactos causa no mercado?

De todos os desafios que os profissionais de marketing enfrentam para atingirem seus públicos-alvo, a tecnologia de bloqueadores de anúncio têm sido, sem dúvidas, uma das mais difíceis de superar. No ano passado, o New York Times informou que 11% dos usuários na internet em todo o mundo usavam software de bloqueio de anúncios – um aumento surpreendente de 30% em relação ao ano anterior.

Uma pesquisa do Instituto Reuters para o Estudo de Jornalismo da Universidade de Oxford mostrou que o uso de bloqueadores por internautas brasileiros é de 21%, e a medida tomada pelo Google terá um impacto ainda maior no país, levando em conta que, segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC), o navegador possui 74% do tráfego em desktops e um índice 17,5% de adblocks. Seu uso, de acordo com o Meio&Mensagem, está cada vez mais voltado para a segurança dos usuários, já que muitos anúncios estão sendo utilizados por hackers como um método de invadir computadores.

A partir de agora, quando um site exibir anúncios invasivos no Chrome, o desenvolvedor será notificado e terá 30 dias para removê-los. Caso isso não seja feito, todos os anúncios daquele site serão bloqueados no navegador.

Ao acessar um site com propagandas bloqueadas pelo Chrome, o usuário receberá uma mensagem na parte inferior da tela avisando que aquela página contém “anúncios intrusivos”. Dessa maneira, a pessoa pode decidir mantê-los bloqueados ou exibir todos os banners disponíveis naquele site, mesmo que sejam considerados “irritantes”.

 

Fonte: Tecnoblog

 

Qual é o lado positivo dos adblockers?

Enquanto os publishers e anunciantes inicialmente temiam que a iniciativa do Google levasse à uma drástica redução no número de impressões de anúncios disponíveis para alcançar seus consumidores, a realidade é que cada vez menos esses usuários estavam vendo seus anúncios em primeiro lugar.

As pessoas, hoje em dia, estão evitando mais anúncios do que antes. No entanto, muitos consumidores da web entendem que a publicidade permite que eles não paguem por um conteúdo acessado gratuitamente todos os dias. Um relatório da PageFair em 2017 indicou que 77% dos usuários de bloqueadores de anúncios nos EUA dizem que não se opõem a todos os anúncios – apenas aos mais irritantes.

Uma pesquisa realizada pelo Google revelou que 35% das pessoas bloqueiam anúncios por serem irritantes, 27% por não gostarem de anúncios, 9% para protegerem seus dispositivos de vírus, 8% para aumentarem a velocidade da internet e 3% para bloquearem conteúdos inapropriados. Por isso, o problema não são as pessoas bloqueando anúncios, e sim os próprios anúncios. E, pensando por esse lado, o uso de adblocks podem trazer benefícios para o mercado de marketing digital.

Hoje em dia, formatos de anúncios considerados irritantes são mais rápidos, baratos e estão prontamente disponíveis. Por que gastar tempo criando conteúdo de qualidade ou uma estratégia inteligente, quando outro anunciante vai apenas comprar um anúncio pop up na mesma página, obrigando o usuário a fechar todo o seu navegador para tirá-lo do caminho?

É aí que entramos na discussão de anúncios de má qualidade em primeiro lugar. O Google e a CBA realizaram pesquisas com 25 mil usuários de internet sobre anúncios intrusivos, e “aborrecimento” e “distração” foram algumas das características atribuídas a eles. Essa é, realmente, a impressão que um site ou uma marca deseja deixar para um usuário?

Publishers e anunciantes devem, primeiro, respeitar o tempo e a experiência de cada usuário. Isso não só aumenta a probabilidade de permanecerem no site, como também abre portas para que ele uma maior confiança e crie espaço para mensagens úteis e relevantes.

Nos últimos anos, os publishers aprenderam que priorizar cliques não é a estratégia mais sustentável. Muitos se reposicionaram com um foco na criação de conteúdo confiável e de alta qualidade, com a intenção de construir e sustentar públicos mais fieis e leais. Agora, esses mesmos publishers estão preparados para colherem os benefícios da nova iniciativa do Google, pois o inventário intrusivo e de baixa qualidade está sendo deixado para trás.

Os anunciantes podem se beneficiar de uma maneira similar, não só por causa dos novos padrões do Google, mas por apostarem no crescimento da importância do conteúdo. É certo que o número de consumidores engajados em uma campanha com conteúdo pode parecer menor comparada às métricas de impressão, por exemplo. No entanto, esse engajamento significa que as audiências respondem bem ao conteúdo, dando oportunidades aos anunciantes de ganharem credibilidade e confiança do público.

 

 

Estratégias não intrusivas para vencer a tendência dos adblockers

Existem diversas abordagens de anúncios que não irritam o usuário e melhoram a experiência de publicidade digital. A resposta para os adblockers reside, é claro, na criação de conteúdo de marketing valioso e não intrusivo, e pensando nisso, a Forbes reuniu 14 estratégias recomendadas pelos membros do Forbes Communication Council que podem ajudar o seu negócio:

1. Anúncios baseados em comportamento: para os usuários que não usam adblockers, os anúncios que aparecem com base no comportamento do usuário são mais eficazes do que os que aparecem sempre quando uma página é carregada. Várias agências oferecem soluções que exibem apenas um anúncio pop up ou “lightbox” quando os usuários indicam uma saída do site ou depois de navegarem nele (por exemplo, depois de realizarem uma compra, preencherem um formulário, etc). Nós temos que chegar aos usuários quando eles estiverem mais receptivos;

2. Publicidade nativa: a publicidade nativa será ainda mais usada em 2018, com ênfase em misturar anúncios no site e garantir que a mensagem seja contemporânea e relevante para o público;

3. Tecnologia anti adblocker: primeiro, produza anúncios que não sejam irritantes. Esse é o maior obstáculo para que alguém ouça sua mensagem. Em segundo lugar, utilize tecnologia que bloqueie os adblockers, como Instart Logic, PageFair ou Uponit. Elas garantem que os visitantes continuem vendo a publicidade de alta qualidade e restauram a receita anteriormente perdida;

4. Valor em campanhas publicitárias: para conseguir a atenção do seu público-alvo, forneça informações valiosas diretamente em suas campanhas de publicidade ou conteúdo de SEO. Em vez de “empurrar” banners que entregam toda a mensagem, tente oferecer um download gratuito ou acesso a um vídeo exclusivo compartilhando um guia útil, experiência ou visão;

5. Vídeos de experiência no Youtube: os consumidores não apreciam mais o “compre agora”, como costumavam fazer. A liderança do pensamento é a maneira de transformar os consumidores em clientes e o Youtube é a melhor plataforma para isso. Crie um vídeo que mostre sua experiência sem ser excessivamente promocional, e você irá converter mais tráfego em vendas. O truque é resolver problemas que as pessoas têm de maneira criativa e divertida;

6. Conteúdo com personalidade: o melhor conteúdo é o que ajuda consumidores a ressoarem com a sua marca. Demonstrar autenticidade através de conteúdo único e interessante pode ajudar a alinhar os consumidores com seu produto e mostrar a personalidade da sua marca;

7. Inbound marketing: os consumidores estão adotando adblockers porque não gostam de serem interrompidos. Para superar isso, os comerciantes devem gerar conteúdo significativo e prático – o conteúdo que os consumidores buscam aproveitar quando bloqueiam os intrusivos e irrelevantes, e a estratégia de Inbound Marketing tem esse objetivo. Deixe-os interessados em aprender mais e eles vão convidá-lo a ter uma conversa mais longa;

8. Anúncios segmentados nas redes sociais: anúncios pop up geralmente impedem os compradores porque perturbam a experiência de compra dos usuários e criam preocupações de segurança. A melhor maneira no caso das redes sociais é usar publicidade direcionada, e a chave para o sucesso é saber quem você quer atingir e encontrá-los nos canais que estão presentes;

9. Influencer Marketing: os influenciadores transmitem a mensagem para você. Eles têm centenas de milhares de seguidores fieis que conhecem sua personalidade, comportamento, gostos e desgostos. Seu cliente estaria mais interessado em clicar em um anúncio que aparecesse interrompendo seu conteúdo, ou em ouvir o que um influenciador – que ele já conhece – está indicando? Influenciadores humanizam seu anúncio;

10. “Advocacia” autêntica: os consumidores de hoje esperam uma comunicação autêntica e relevante, mesmo quando se trata de publicidade. Então, fala esse tipo de abordagem de dentro para fora. Seus funcionários são valiosos e seus melhores embaixadores. Certifique-se de que se sentem valorizados, informados, conectados e capacitados para serem uma fonte de informações confiáveis. Dessa maneira, você ativa a defesa orgânica das pessoas por trás da marca que os adblockers não podem tocar;

11. Retargeting: anúncios são intrusivos por natureza e lutar contra essa mentalidade é quase impossível. O uso de retargeting para seus anúncios é a maneira mais simples de ser mais direcionada e eficaz, pois os clientes que já visitaram seu site (ou um site similar) são mais propensos a receberem o anúncio. É preciso garantir que estamos trazendo valor ao cliente, e não apenas vendendo um produto ou serviço;

12. Marketing relevante e contextual baseado em necessidades: construir um relacionamento com o seu cliente é a chave. Uma vez que você construiu a confiança e demonstrou que pode realmente agregar valor ao cliente, suas oportunidades de vendas aumentam. Procure entender as necessidades do seu cliente antes de vender qualquer coisa;

13. IA e investimento em marketing preditivo: no mundo de hoje em que as tecnologias de previsão e a inteligência artificial estão desempenhando um papel importante na publicidade, muitas vezes experimentamos anúncios intrusivos não direcionados. As empresas precisam dobrar a inteligência artificial e os investimentos de marketing preditivo para garantir que estão direcionando a audiência certa através dos canais certos com o conteúdo certo;

14. Marketing de conteúdo: os bloqueadores de anúncios estão lá por uma razão, porque tantas empresas estão fornecendo conteúdo que as pessoas não querem ver. Fornecer valor fora da venda é difícil, mas você ficará chocado com o aumento de leads e clientes. Whitepapers, blogs e outros esforços de marketing de conteúdo podem não gerar vendas imediatas, mas eles atraem pessoas para dentro do funil que estão interessados em sua indústria ou tópico.

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