Estratégia

Fake news se espalham mais rapidamente do que notícias verdadeiras no Twitter

Pesquisa revelou que notícias falsas já foram compartilhadas milhões de vezes na rede social, e podem afetar áreas políticas, econômicas e sociais

Já não é mais novidade que as fake news existem na internet e têm, muitas vezes, uma grande capacidade de viralizar. Por terem evoluído tão rapidamente, tornou-se praticamente impossível que a internet, mesmo com tecnologias avançadas, impedisse notícias falsas de serem divulgadas e que elas tivessem um grande poder entre os usuários, podendo até mesmo influenciar áreas políticas, econômicas e sociais.

Hoje em dia, pesquisas mostram que fake news podem espalhar muito mais rápido do que a verdade. Para investigar essa informação, cientistas de dados do MIT analisaram 12 anos de dados do Twitter. Foram examinados tweets falsos e, usando software de tecnologia de bot, foi possível excluir qualquer tráfrego criado por robôs em seus resultados. O resultado foi um conjunto de 126.000 fake news compartilhadas no Twitter, 4,5 milhões de vezes por cerca de 4 milhões de pessoas. Além disso, foi analisada a rapidez com que essas histórias se espalharam e, assim, os especialistas conseguiram provar que histórias falsas chegam e se propagam mais rapidamente na rede social do que histórias reais.

O estudo, que foi divulgado na revista Science, concluiu também que os efeitos causados pelas fake news de política percorrem mais pessoas e são mais virais do que qualquer outra categoria de informações falsas, mas elas também se aplicam a histórias sobre lendas urbanas, negócios, terrorismo, ciência, entretenimento e desastres naturais.

Os responsáveis por toda essa disseminação de notícias falsas é o próprio ser humano e não os bots, como muitos acreditam. “Ao contrário da sabedoria convencional, os robôs aceleraram a propagação de notícias verdadeiras e falsas no mesmo ritmo, o que implica que a falsa notícia se espalha mais do que a verdade porque os humanos – e não os robôs – são mais propensos a propaga-las”, destaca a pesquisa. “Agora, as intervenções comportamentais tornam-se ainda mais importantes na nossa luta para impedir a propagação de notícias falsas”, afirma Sinan Aral, um dos autores da pesquisa para a Forbes. “Se o problema fossem apenas bots, precisaríamos de uma solução tecnológica”.

 

Mas o que leva alguém a compartilhar notícias falsas?

Diferentes emoções foram percebidas na visão de histórias falsas versus verdadeiras. A primeira está associada ao medo, desgosto e à surpresa, enquanto a segunda provoca antecipação, tristeza, alegria e confiança. Tudo isso significa que combater o problema é muito mais complexo do que parece. Quando estamos lidando com motivações e emoções humanas, a solução não é particularmente simples.

As pessoas podem espalhar notícias falsas por uma série de razões. Pode ser que elas sejam, muitas vezes, mais chocantes do que a verdade e percebida como mais nova. “A novidade atrai a atenção humana, contribui para a tomada de decisão produtiva e incentiva o compartilhamento de informações porque ela atualiza nossa compreensão do mundo”, destacam os autores. “Quando a informação é nova, ela não é apenas surpreendente, mas também valiosa. Tanto de uma perspectiva teórica da informação, quanto de uma perspectiva social.

Em outras palavras, as pessoas gostam de compartilhar o que elas pensam que as fará parecerem legais e/ou experientes. Ironicamente, divulgar fake news pode ajuda-las a alcançar essa sensação. E, como os autores apontam, não são apenas histórias triviais que são virais – o fenômeno tem algumas consequências significativas, como “alocação errada de recursos durante ataques terroristas e desastres naturais, desalinhamento de investimentos empresariais e eleições mal informadas”. Por isso, entender porque as fake news são criadas e o que pode ser feito para lidar com isso são as próximas – e intimidadoras – tarefas para os pesquisadores.

 

Como evitar as fake news?

As fake news não surgiram agora. Há séculos podemos presenciar casos de pessoas que disseminam notícias falsas, e com a chegada da internet essa prática se intensificou ainda mais. Por isso, o crescimento das discussões sobre o assunto também cresceu e as menções à expressão fake news aumentou 365% em 2017, e foi eleito o termo do ano pelo dicionário Collins.

O resultado mostra como é importante o debate sobre o tema, que pode prejudicar, inclusive, o meio da publicidade, já que uma marca pode ser prejudicada ao veicular seu anúncio em sites de notícias mentirosas. Embora seja, em grande parte, papel da imprensa evitar que notícias falsas sejam compartilhadas, muitas vezes não existe um controle sobre elas. Hoje em dia as informações se espalham rapidamente, por isso, é essencial que algumas práticas sejam adotadas para que notícias falsas sejam identificadas e evitadas, como por exemplo:

  • Ficar atento aos tipos de fake news que podemos encontrar: existem alguns formatos que são mais comuns para notícias falsas, por isso é sempre importante prestar atenção em conteúdos de sátira ou paródia, falsa conexão em manchetes ou legendas, conteúdos enganosos, contextos falsos ou manipulados;
  • Analisar sempre a fonte da informação para saber se ela é realmente confiável;
  • Não ler apenas o título da matéria. Para ter certeza que ele é verdadeiro, é importante ler todo o seu conteúdo;
  • Preste atenção nos autores e na data da publicação;
  • Questione se o que foi falado é apenas uma piada ou é realmente um assunto sério;
  • Desconfie de notícias “bombásticas” e procure sempre saber se ela é verdadeira;
  • Não confie apenas em links compartilhados em redes sociais. Vá na página oficial do site e pesquisa por palavras-chave;
  • Procure confirmação de uma notícia. Se você não vê uma história em toda a mídia, apenas em um site, provavelmente existe uma boa razão para isso;
  • Esteja atento aos sinais de aviso de bot: o site publica sobre apenas um tópico? Quem mais ele segue nas redes sociais? Publicam ou tweetam a mesma coisa centenas de vezes tentando divulgar suas mensagens? Existem erros de digitação ou gramaticais? Postam em vários idiomas? Estes sinais podem ajudar a perceber se a notícia é real ou está sendo divulgada por um bot;
  • Não acredite facilmente em um conteúdo só porque foi compartilhado por alguém de confiança. Muitas vezes acabamos não verificando a veracidade de um conteúdo e compartilhamos por ter sido divulgada por alguém que acreditamos;
  • Saia da sua própria “bolha”: adicione e exclua fontes e procure informações que contradizem o que você pensa também. Toda página que você gosta e segue preenche suas postagens, compartilhamentos e tweets. Por isso, é importante que essas publicações sejam de fontes confiáveis.

 

Clique para comentar

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Início