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Mobile World Congress 2018 apresenta primeiras aplicações de 5G

Evento reuniu mais de 100 mil participantes, e tinha como tema mais esperado o 5G e as transformações que irá trazer na tecnologia

Na última semana (dia 26/02 ao dia 01/03) aconteceu o Mobile World Congress, em Barcelona. O evento reuniu na Fira Gran Via mais de 100 mil participantes, patrocinadores e expositores em uma oportunidade de alcançar a comunidade móvel global, com mais de 2.400 empresas apresentando seus produtos e serviços de ponta e possibilitando visitantes experimentarem produtos conectados a dispositivos móveis.

Durante seus quatro dias de duração, a conferência explorou temas como inteligência artificial, Internet das Coisas, drones, blockchain, políticas e regulamentos e o 5G, que foi o assunto mais comentado durante o evento.

 

5G rouba a cena, mas ainda está longe para a maioria dos usuários

A tecnologia sem fio da próxima geração promete ir além dos telefones e ligar diversos aparelhos, desde veículos a dispositivos domésticos, ou qualquer outro objeto com conexão à internet em velocidades muito maiores.

Os primeiros projetos comerciais de 5G serão lançados pela AT&T nos Estados Unidos este ano em até 12 cidades, seguidos pelo Japão e Coreia do Sul em 2019. Na Europa, a Swisscom planeja fazer a mesma coisa ainda em 2018, e no Brasil, a previsão é de que as operadoras lancem em 2020. O 5G está chegando agora, mas ainda não será utilizado por todos os usuários.

Foi consenso geral durante o MWC que o 5G irá revolucionar a comunicação móvel, e é difícil argumentar contra isso. Suas características – ondas milimétricas, MIMO (multiple inputs, multiple outputs) massivo, beamforming (redutor de interferência) – permitem uma precisão anteriormente impossível de ser verificada, taxas de dados e capacidade de rede. Finalmente, ele tornará possível algumas tecnologias que estão sendo trabalhadas há anos e essa quinta onda de rede móvel amplia a velocidade da internet em taxas que podem chegar até a 140 vezes maiores do que o 4G, chegando próximo aos 5 gigabits por segundo e suportando bilhões de dispositivos conectados.

Muito do que o 5G promete oferecer para além das redes 4G LTE existentes – alta capacidade de dados e baixa latência, em particular -, naturalmente, será o caminho para os smatphones, mas esses não foram exibidos esse ano. Uma vez que a cobertura de 5G exigirá uma revisão maciça do projeto de rede existente, os casos de uso mais imediatos serão muito mais localizados. Robótica, veículos autônomos e realidade virtual serão as primeiras áreas a se beneficiarem da nova tecnologia.

 

A KT Corporation exibe os serviços 5G em seu estande no Mobile World Congress. Fonte: IEEE Spectrum

 

Primeiras aplicações do 5G são apresentadas

Diversas salas de exposição no MWC tinham dispositivos projetados para objetos inteligentes, inteligência artificial e realidade virtual. O Grupo Spéciale Mobile Association (GSMA) fez questão de dedicar uma parte significativa do seu grande estande no evento às possibilidades da tecnologia 5G – A Innovation City. Dezenas de exposições foram centradas em torno de três histórias gerais, ou três áreas em que o 5G afeta drasticamente: entretenimento, realidade virtual e transporte.

Destes, o entretenimento é a área que mais impactará diretamente o maior número de pessoas. A KT Corporation mostrou a diferença na qualidade de transmissão de vídeo usando redes 4G e 5G. Uma bola rolando na rampa foi filmada por câmeras ligadas à drones, e os visitantes podiam comparar as filmagens. Não só a rede de simulação 5G mostrou nitidamente menos latência, como a grande promessa na área é que o 5G coordene esses drones.

Operar e coordenar uma rede de drones para filmar, digamos, um evento esportivo, requer muita comunicação. Não só cada drone precisa transmitir continuamente o vídeo HD para uma nuvem central, mas também precisa receber instruções regulares, bem como atualizações sobre os outros drones que estão filmando naquele momento.

O próximo grande caso de uso do 5G, a realidade virtual, tem sido um tema do mercado há anos. Isso é, em parte, devido à sua barreira cara para a entrada – você precisa comprar não apenas um fone de ouvido, por exemplo, mas também precisa de um computador poderoso o suficiente para processar tudo. O multiplayer, experiência imersiva de realidade virtual de corpo inteiro nas telas do MWC esse ano vão exigir ainda mais gadgets para coletar e rastrear movimentos do corpo, e mais poder de processamento para renderizar assertivamente e o mais próximo possível de tempo real os movimentos dos parceiros. Mas o lento processo de adoção da tecnologia é devido principalmente ao ponto fraco do VR, atribuído ao lag (demora) existente entre o seu movimento de cabeça para olhar algo e quando a visão virtual muda.

Existem esperanças de que o 5G possa empurrar grande parte do processamento de um servidor local para a nuvem sem introduzir latência intolerável. Afinal, ele terá taxas de dados capazes de enviar essas informações de volta a um local remoto, eliminando assim, a necessidade de o player VR possuir um computador de última linha.

 

Jogo “Special Force VR: Universal War” foi transmitido por uma conexão 5G no Mobile World Congress em Barcelona. Fonte: Reuters

 

A última grande promessa da GSMA sobre o 5G – transporte – foi exibido de maneira extravagante pelo drone de taxi da eHANG. Um drone voador grande o suficiente para caber um passageiro irá estrear no final deste ano, pegando passageiros no aeroporto de Dubai para hotéis high-end. Mesmo que o drone seja perfeitamente capaz de voar, um piloto remoto estará disponível por enquanto, tanto para tranquilizar os passageiros quanto para assumir a qualquer momento.

 

O drone voador de EHang foi exibido no Mobile World Congress. Fonte: IEEE Spectrum

 

Além da Innovation City, a Ericsson colaborou com a empresa de automação Comou para demonstrar robôs de fábrica habilitados com 5G capazes de trabalhar sem fio e analisar danos em tempo real. A Qualcomm exibiu seus processadores Snapdragon que fornecem aos carros o poder de processamento necessário para lidar com as taxas de dados 5G. O HTC tinha suas próprias experiências imersivas em multiplayer VR, enquanto uma das três cabines da Samsung reunia filas e filas de pessoas fascinadas em experiências de snowboard.

 

O que podemos esperar da nova tecnologia para os próximos anos?

O foco do 5G este ano no MWC não foi a sua infraestrutura, mas sim as suas primeiras aplicações. Mas é claro que essas aplicações, mesmo que animadoras, não farão muita diferença para a maioria das pessoas no dia a dia – ainda. O 5G está chegando e, eventualmente, será nossa rede de celulares. Mas esse ano, ainda não será utilizado dessa maneira, e sim para drones que filmam eventos esportivos, para museus que oferecem passeios pela lua e para drones de taxi de alta velocidade que viajam para hotéis de luxo.

Desde a década de 1990, com a criação do 2G e o aumento do uso da internet, sua evolução vêm acontecendo rapidamente e tomando conta de todo o mundo. Em apenas um ano, muita coisa pode mudar e novas tecnologias vão aparecendo. “Quando pensamos em 5G, mais do que revolucionar a tecnologia e o modelo de negócios, muito focado no celular, há um leque de aplicação de uso que não tem precedente nas tecnologias anteriores, voltadas para o uso pessoal. O 5G traz uma dimensão diferente nessa evolução, em que o contexto IoT é importante porque significa a digitalização das indústrias, da cidade, transporte, saúde, manufatura. Têm aplicações que serão fundamentalmente habilitadas para o 5G que, este ano, começam a se concretizar”, afirma o diretor de relações com o governo e indústria da Ericsson, Tiago Machado, em entrevista ao Meio & Mensagem.

As notícias sobre o 5G são animadoras e promissoras, mas é preciso ter calma e esperar que ele chegue para todos nos próximos anos. De qualquer forma, projeções para o mercado sugerem um impacto de 12 trilhões de dólares na economia mundial. Um estudo da Ericsson prevê que, em 2023, 20% da população global terá acesso a uma conexão 5G. Se não parece muito, lembre-se: são um bilhão de pessoas.

 

O que mais rolou durante o MWC 2018?

Além do 5G, que foi muito comentado durante os quatro dias, o evento apresentou também diversas outras inovações envolvendo o universo do mobile. As principais sessões apresentaram líderes de players já estabelecidos e também de novatos na indústria, bem como comunidades em desenvolvimento, e teve seu foco em oito temas centrais:

1. A 4ª Revolução Industrial

O crescimento da Internet das Coisas significou que todo tipo de indústria agora está buscando tecnologias conectadas para garantir que esteja pronto para a produção automatizada que está crescendo na sociedade. A Quarta Revolução Industrial, como foi intitulada, é uma das revoluções mais complexas, inclusivas e automatizadas pela qual já passamos e atinge inúmeras áreas, desde o transporte até a maneira com a qual nos comunicamos. Por isso, o tema ala sobre as tendências na tecnologia e oportunidades que irão surgir no mundo digital daqui pra frente.

2. Provedor de serviços futuros

Os operadores abordam a questão estratégica fundamental de onde e como eles querem competir no futuro. Quais são as opções para garantir um futuro brilhante? Qual será o impacto do 5G, análise, machine learning e digitalização em seus custos, engajamento de clientes e estratégias?

3. A rede

Estamos vendo rápidos desenvolvimentos em tecnologia de rede, oferecendo imensas oportunidades para menores custos e criação de novos negócios. Enquanto isso, o crescimento da complexidade é assustador. Por isso, esse tema examina quais são as oportunidades, os desafios técnicos e o ROI de 5G, NFV, SDNs e muito mais.

4. O consumidor digital

A forma como os consumidores interagem e transacionam com as empresas através dos canais digitais está evoluindo rapidamente, impulsionada por conectividade constante e rica, e dados criando novos serviços e interfaces. Ao empregar análises ao longo do ciclo de vida do cliente, oferecendo experiências de clientes gratificantes desde a pré-compra até o final e fortalecendo a confiança digital, as empresas irão construir marcas digitais que retém clientes e se sobressaem do resto.

5. Tecnologia na sociedade

As tecnologias conectadas têm o potencial de oferecer enormes benefícios para a sociedade: melhor governo, segurança, transportes, educação, saúde, comunicação, artes, respostas de emergência, entre outros. Mas uma ferramenta sem orientação e ética é inútil e, até mesmo, perigosa. O que será necessário para fazer um futuro melhor e como podemos evitar erros no caminho?

6. Conteúdo e mídia

À medida que os serviços online se tornam o principal meio de consumo de mídia, as relações entre criadores de conteúdo, distribuidores e consumidores continuam a evoluir para algo mais rico, mais direto, imersivo e pessoal, mais complexo e mais difícil de gerenciar, mas as recompensas são significativas para aqueles que conseguem.

7. Inteligência artificial aplicada

O machine learning, a computação cognitiva e a inteligência artificial estão sendo cada vez mais divulgados, e com uma boa razão: muitas das soluções já permitidas hoje parecem ser tiradas diretamente da ficção científica e o potencial de inovação parece quase ilimitado. IA é a chave para gerenciar, usar e dimensionar os conjuntos de dados ricos habilitados por tecnologias conectadas. No entanto, como uma ferramenta de tecnologia e negócios ainda está crescendo, traz uma complexa rede de problemas e esse tema tem como objetivo reduzir a sua complexidade.

8. Inovação

A inovação é a aplicação de melhores soluções que atendam aos novos requisitos, às necessidades não articuladas ou às necessidades existentes do mercado. Isso é conseguido através de produtos, processos, serviços e tecnologias mais eficazes que estão prontamente disponíveis para mercados, governos e sociedade. O termo “inovação” pode ser definido como algo original e mais eficaz e, como consequência, novo, que “invade” o mercado ou a sociedade.

 

Confira o vídeo produzido pelo The Verge durante o evento e principais highlights das exposições:

 

Parte desse texto foi originalmente veiculado em IEEE Spectrum   

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