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Reamper Lab #24 – Especial do Dia da Mulher

Thais Perez e Noemi Mitsunaka falaram sobre violência contra a mulher na internet e no mercado de trabalho, além de práticas comuns do dia a dia

O Reamper Lab está de volta!

O primeiro Lab do ano aconteceu hoje (09/03), em homenagem ao Dia da Mulher. Thais Perez, da nossa equipe de TI e Noemi Mistunaka, da nossa equipe de Business Intelligence, falaram sobre a importância da privacidade e segurança da mulher na internet, algumas maneiras de prevenção de cibercrimes e, também, abordaram diversas práticas do dia a dia que são machistas, mas, muitas vezes, não nos damos conta.

Na Reamp, acreditamos que o Dia Internacional da Mulher não é uma data para comemoração, e sim para conscientização sobre o papel da mulher na sociedade e no mercado de trabalho. Mesmo com uma luta que existe há anos, ainda hoje, mulheres sofrem diariamente com preconceito em todas as áreas, e por isso é importante que existam debates sobre o assunto.

 

Segurança e privacidade na internet – qual é a importância?

Desde a criação da internet, usuários têm suas contas em sites invadidas e informações roubadas por hackers, e isso não é mais novidade. No entanto, muitas dessas práticas que são consideradas crimes, até hoje, são diretamente voltadas para as mulheres com o objetivo de prejudicar sua vida, seu trabalho, ameaçar ou praticar bullying.

De acordo com Beatriz Accioly, pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Marcadores Sociais da Diferença, do Departamento de Antropologia da USP, o ambiente online tem sido, cada vez mais, uma maneira de praticar violência contra mulheres. “Atualmente, temos nomeada a pornografia de vingança, ou revenge porn, quando um ex-namorado ou alguém que teve acesso a uma foto íntima erótica de uma pessoa a divulga sem consentimento. Há o hackeamento de informações pessoais, por exemplo, no caso do aplicativo de taxi, e há ainda o assédio pela internet, com a difamação online. A cada dia aparece um novo tipo de violência, há uma explosão de categorias”, ressalta.

Toda essa vulnerabilidade na rede faz com que especialistas pensem em novas soluções para uma maior segurança dos usuários nas redes, como por exemplo o uso de senhas grandes e com caracteres especiais (como pontuações e números) para que o hacker tenha dificuldade em descobri-la. De acordo com Thais, quando a senha é armazenada em um sistema, não temos como saber qual tecnologia está guardando ela. Muitas vezes, essa senha pode ficar em um local não muito seguro, onde hackers conseguem facilmente acessar.

Por isso, a maioria dos sistemas de segurança hoje já têm embutido uma tecnologia que faz uma lógica, misturando as senhas com outros algoritmos para que, caso alguém tenha acesso à base, não consiga decifrá-la logo de cara. A especialista mostrou que, ao longo do tempo, novas criptografias estão sendo criadas pois tiveram sua versão anterior invadida por hackers e um processamento baixo. A tecnologia mais nova que está sendo implementada atualmente é o SHA 2, que exige um número maior de dígitos na senha.

A especialista listou também algumas formas comuns de roubos de senha atualmente:

  • Traffic Sniffer: quando uma pessoa consegue observar o tráfego de um computador e coletar as informações do usuário enquanto ele navega. Muitas vezes, um site não é criptografado e deixamos escapar dados que facilitam o acesso de hackers;
  • Brute Force: hackers pegam uma lista de senhas e vão testando até conseguirem acessar os dados de alguém;
  • Rainbow Tables: diferentemente da força bruta, tabelas são disponibilizadas com as senhas já processadas. O hacker não tem o trabalho de testar senhas pois o algoritmo já foi “quebrado”;
  • Pishing: o maior ponto fraco da senha é o usuário, pois muitas vezes ela não é difícil. Nessa prática, que é muito comum, a pessoa acaba clicando em links falsos que possuem um domínio parecido com o original (como por exemplo de bancos) e o usuário acaba deixando suas informações disponíveis;
  • Engenharia social: o usuário acaba “dando” suas próprias informações para os hackers, como telefone, e-mail, cpf, etc. Dessa maneira, o criminoso consegue criar um perfil da pessoa e fica ainda mais fácil de convencer o usuário a entregar seus dados;
  • Brechas em dispositivos físicos (teclados, Smart TVs, etc): existem muitas brechas em dispositivos físicos, que não possuem nenhuma segurança. Para um hacker conseguir entrar nessas redes, é ainda mais fácil.

Thais deu também algumas dicas de como se prevenir dessas invasões nas redes, como por exemplo: usar passphrases ao invés de passwords – ou seja, utilizar como senha uma boa frase, com letras maiúsculas e minúsculas, espaços e pontuações. Junte palavras diversas que você possa memorizar facilmente em uma frase –; autenticação de dois passos – que depende completamente do sistema. Você coloca seus dados e, para provar que é você, o site envia uma mensagem para outro canal como celular ou e-mail onde você precisa responder – e possuir um gerenciador de senhas – que avisam rapidamente quando um site está sendo invadido para que a pessoa possa mudar as senhas.

Diversos casos de ataques na internet acontecem diariamente, principalmente com mulheres. “Não importa se as pessoas achem que não querem saber da vida delas. Você só precisa de uma pessoa mal-intencionada. Às vezes, você está em uma situação onde a minoria não tem o apoio da mídia e são hackeados, derrubados, perseguidos. Se as pessoas são perseguidas na vida real, elas obviamente são perseguidas na internet”, ressalta Thais. “Se você for procurar mais sobre ativistas, vai ver que eles sofrem na parte online porque precisam pensar na privacidade deles”.

Apesar disso, existem grupos de pessoas que oferecem ajuda a quem sofre violência online, como citado pela especialista. Existem duas redes de apoio famosas no Brasil, que são a ONG Safernet e a Humaniza Redes. Além disso, o Guia Prático de Estratégias e Táticas para a Segurança Digital Feminista foi elaborado por grupos de ativistas como MariaLab, Blogueiras Negras, Universidade Livre Feminista e CFemea, e ensina práticas que podem ser aplicadas no dia a dia para uma prevenção maior e segurança nas redes.

 

Práticas do dia a dia e mulher no mercado de trabalho

Outro tema abordado durante o Lab foi a mulher no mercado de trabalho e algumas práticas que acontecem diariamente, mas não nos damos conta do problema. Noemi trouxe alguns termos que ouvimos muito, mas as pessoas ainda têm dúvidas dos seus significados e diferenças, como: machismo, sexismo, patriarcado, misoginia e, claro, feminismo.

 

 

“Feminismo não é o contrário de machismo. É a pessoa que acredita na equidade entre os sexos em todas as áreas, política, econômica, etc. e luta contra o preconceito estabelecido pelo machismo. É um tipo de ativismo, pessoas que se envolvem a favor das mulheres socialmente, politicamente e filosoficamente”, explicou a especialista.

A internet é um ambiente onde ocorrem diversos tipos de crimes contra a mulher. No entanto, abusos podem estar mais presentes na nossa vida do que imaginamos. “Nem todas as questões de gênero e machismo são tão violentas e se apresentam em uma roupagem tão agressiva. Existem atitudes machistas que são pequenas e muitas vezes deixamos passar como se fossem uma brincadeira. Acontecem no dia a dia e nem os homens percebem que estão fazendo”, ressaltou Noemi.

Para exemplificar essas atitudes, que ocorrem inclusive no ambiente de trabalho, a especialista apresentou alguns termos:

  • Mansplaining: o termo é uma junção de man (homem) e explaining (explicar). É quando um homem dedica seu tempo para explicar algo que a mulher já sabe, como se ela não fosse capaz de compreender ou como se a sua explicação fosse mais confiável, por ele ser homem. Também pode servir para quando um homem explica como você está errada a respeito de algo que você está certa.

 

 

  • Manterrupting: é a junção de homem (man) com interrupção (interrupting). Muitas vezes as mulheres são interrompidas por outros homens enquanto falam sobre algo, um comportamento muito comum em reuniões e palestras mistas, quando uma mulher não consegue terminar uma explicação porque é constantemente interrompida pelos homens ao redor. Veja alguns exemplos no vídeo:

 

 

  • Bropriating: é a junção de bro (usado para brother, irmão, mano) e appropriating (apropriação), e trata-se de quando um homem se apropria da ideia de uma mulher e não dá os devidos créditos a ela. Em ambientes de trabalho, a prática também é muito comum.
  • Gaslighting: acontece quando um homem faz com que uma mulher duvide de si mesma e de seu senso de realidade, sua percepção e sanidade. Frases como “você está exagerando”, “para de surtar”, “você está louca”, “tá de TPM?”, “não aceita nem uma brincadeira” e “você é sensível demais”, por exemplo, são exemplos comuns da prática. No exemplo citado também por Noemi, mulheres do exército da Alemanha foram obrigadas a se afastarem do seu trabalho por estarem “emocionalmente instáveis” depois de denunciarem assédio sexual.

 

 

Práticas como essas citadas acima são, muitas vezes, ignoradas diariamente. No entanto, as especialistas ressaltam a importância da união entre as mulheres para que o preconceito seja cada vez menor em todas as áreas. “O Dia da Mulher serve não para parabenizar, mas justamente para ter essa conscientização de que as coisas ainda não mudaram tanto assim, e que o problema está em todo mundo”, finalizou Thais. “A maior rede de apoio que temos somos nós mesmas. Temos que nos ajudar e quando alguma coisa assim acontecer, fazermos a nossa parte”.

Obrigada pela participação, pessoal! Foi demais!

 

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