Estratégia

Como funcionam os assistentes de voz no setor de varejo?

Cada vez mais, consumidores estão à procura de dispositivos por voz para realizarem compras online

O hype em torno de assistentes dirigidos por voz atingiu uma nova intensidade nos últimos meses – e compreensivelmente, cada vez mais consumidores estão à procura desses dispositivos (o Echo Dot da Amazon foi o item mais vendido no site do mercado durante o período do Natal no último ano) e seu potencial para alterar drasticamente a forma como as pessoas interagem com marcas online.

No momento, os dispositivos de voz inteligentes são usados principalmente para comandos funcionais ou consultas simples, seja pedindo atualizações de tráfego ao vivo ou desligando as luzes – o que ainda está longe das capacidades multiuso demonstradas pelos assistentes de inteligência artificial em muitos filmes de ficção científica.

No entanto, com uma estimativa de um bilhão de buscas por mês na internet já sendo feitas por voz, a tecnologia certamente não pode ser descartada apenas como uma moda passageira. Os recentes avanços em design – mais notavelmente, a adição de telas para navegação – significam que esses dispositivos logo se tornarão ferramentas viáveis para compras online, da mesma forma que a adição de telas sensíveis ao toque causaram o crescimento monumental do m-commerce.

A Amazon lidera esta área, já tendo equipado seus Echo Show e Echo Spot com telas, enquanto o Google colabora com a Lenovo para desenvolver seu próprio assistente de casa e o Facebook está prestes a lançar seu dispositivo “Portal” completo, com tela e câmera frontal que permite que usuários fiquem conectados com seus familiares e amigos usando o chat por vídeo e “outros recursos sociais”.

 

 

Com a capacidade de exibir resultados de pesquisas e páginas da Web, o potencial para os consumidores fazerem compras consideráveis por esses dispositivos (por exemplo, roupas ou decoração de casa) é aumentado. Isso significa que os varejistas online precisarão começar a visualizar a experiência do cliente digital por meio de uma nova lente – adaptando seu conteúdo online e estratégias de SEO para maximizar as vendas em um mundo centrado na voz.

 

Otimizações para pesquisas por voz

Em contraste com as pesquisas digitais tradicionais – que a maioria das pessoas tende a construir usando palavras-chave fragmentadas –, ao pesquisar usando um assistente de voz, a inclinação é que o usuário fale naturalmente, usando frases mais informais. Por exemplo, em vez de digitar “equipamento de caminhada”, o usuário pode perguntar verbalmente “ei, Alexa, o que devo fazer para encontrar bons equipamentos de caminhada?”.

A consequência disso para os varejistas é que eles devem garantir que páginas valiosas de tráfego (incluindo páginas de hub, categoria e guia de produtos) sejam otimizadas com conteúdo rico e de alta qualidade, que incorpore não apenas palavras-chave relevantes, mas sim uma variedade de frases relacionadas, sinônimos e vocabulário em linguagem natural, para garantir visibilidade nos resultados de pesquisas por voz.

As marcas que não conseguirem fazer esse processo adequadamente acabarão perdendo o tráfego orgânico de busca por voz, prejudicando as receitas online.

 

Aproveite as respostas instantâneas do Google

No contexto da pesquisa por voz, o recurso “Snippets em destaque” ou “Respostas instantâneas” existentes do Google, assumem um papel ainda mais proeminente nas páginas de resultados.

Atualmente, quando os usuários digitam uma pesquisa de pergunta simples (geralmente antecedida de “como”, “por que”, “o quê” ou “quando”), o Google exibe, na primeira posição em uma página de resultados, um pequeno trecho do conteúdo de uma página de alta autoridade que responde à pergunta.

No entanto, ao fazer uma consulta semelhante por meio de um assistente de voz, o conteúdo da resposta instantânea não é apenas exibido, mas é apresentado em forma falada. Para os varejistas que podem demonstrar autoridade em um determinado assunto – essencialmente ao fornecer a melhor resposta a uma consulta do consumidor comumente pesquisada – isso representa uma oportunidade valiosas para aumentar o reconhecimento da marca e os cliques imediatos, aumentando o tráfego orgânico.

Para aproveitar adequadamente esse recurso, os varejistas devem identificar perguntas comuns e simples relacionadas a categorias verticais de produtos, além de produzir conteúdo de guia que forneça respostas claras, diretas e perspicazes a essas perguntas, tomando o cuidado de resumir as informações de maneira precisa. Demonstrar autoridade no assunto – e fornecer respostas genuinamente uteis aos consumidores –, aumentará a probabilidade de garantir esse espaço valioso.

 

Atualizar descrições de produtos

Criar o conteúdo da descrição do produto no ritmo necessário para acompanhar a sazonalidade e a rotação do estoque, e às vezes em vários idiomas, já é um desafio operacional significativo para muitos varejistas – e o advento da tecnologia de voz acrescenta mais complexidade a esse empreendimento.

Como os dispositivos de voz são cada vez mais usados para compras online e as expectativas dos consumidores continuam a evoluir, é provável que as páginas de produtos nos sites varejistas precisem não apenas transmitir os detalhes do produto por escrito, mas também ter um certo nível de interatividade – permitindo que o consumidor faça perguntas sobre o produto e receba respostas faladas. Por exemplo, caso ele esteja olhando para a página do produto de um laptop, pode querer perguntar “quanto tempo dura a bateria?”.

Assim, além da tradicional descrição do produto visível e voltada para o consumidor, as páginas do produto também precisarão ser incorporadas com metadados que forneçam respostas a perguntas comuns ou prováveis de usuários sobre produtos, que os assistentes inteligentes possam analisar para fornecer respostas faladas relevantes quando solicitado. Adaptar-se à essa mudança no comportamento e nas expectativas dos clientes será essencial para preservar as taxas de conversão online no futuro – porque, se os navegadores não conseguirem encontrar as respostas que estão procurando em seu site, eles simplesmente procurarão em outro lugar.

Já é relatado que 24% dos consumidores preferem usar um assistente de voz do que um site para fazer compras online, e quase um terço diz que prefere usar a interação de voz do que visitar uma loja física ou uma agência bancária. A formulação de uma estratégia de voz voltada para o futuro agora posicionará os varejistas para aproveitar a iminente revolução do comércio por conversação – garantindo que eles não sejam deixados para trás na competição.

 

 

Originalmente veiculado em RetailTechNews

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