Artigos Reamp

TV IstoÉ Dinheiro: uso de dados dos consumidores

Caio Ferro falou em entrevista à IstoÉ Dinheiro sobre o uso de dados dos consumidores online

Nosso COO Caio Ferro participou, na última terça-feira (20/06), do IstoÉ Dinheiro Ao Vivo, programa multicanal que recebe diariamente profissionais de diversas áreas, e pode ser assistido pelas páginas da IstoÉ no Facebook, Twitter e pelo Youtube. Durante o bate-papo, o especialista falou sobre como são usados os dados dos consumidores pelas empresas hoje em dia e quais são os limites do uso dessas informações pessoais, além de responder perguntas dos internautas que acompanharam a transmissão.

Segundo Caio, nos encontramos no país em uma “zona cinzenta” do mercado, já que ele é muito novo. Todos os dados que as empresas possuem estão ligados à algum dispositivo, e ele gera rastros. Esses dados podem ser de diferentes tipos: comportamentais (ou seja, dados de navegação, interação online, entre outros) e dados declarados (os quais as empresas têm acesso a partir do que o usuário declarar de informações, como preenchendo um formulário, por exemplo, e esses dados passam a ser propriedade da marca).

A Reamp trabalha com esses dois tipos de dados. Atualmente, já existem diversas tecnologias que permitem a gestão de dados dos consumidores, assim como a medição e a auditagem desses conteúdos – que são os vestígios deixados pelos usuários em navegações na internet. Por isso, somos uma consultoria que oferece soluções para a mídia e, principalmente, soluções voltadas à essa gestão. “Por sermos proprietários de algumas tecnologias, estamos sempre revisando e acompanhando o desenvolvimento do mercado a partir de novas legislações que surgem, como o GDPR na Europa”, ressaltou Caio.

 

 

A ideia é que o consumidor esteja sempre protegido em primeiro lugar, e por isso, o especialista acredita que essas mudanças que estão sendo feitas em regulamentações de diversos países, sejam para garantir ainda mais a segurança do consumidor e não deixar que seus dados sejam expostos. “Existem informações que, mesmo declaradas, são pessoalmente identificáveis e de maneira nenhuma podem ser apresentadas em uma comunicação porque se torna intrusiva para os consumidores. Alguns exemplos são nomes, aniversário, e-mail, e telefones das pessoas”, complementou Caio.

No Brasil, ainda não existe uma legislação específica para o uso de dados. Mas até onde as empresas podem trabalhar com as informações dos consumidores? Existe uma fronteira para isso?

O Marco Civil da internet brasileira já fala sobre o tema e deixa claro que a empresa precisa expressar suas intenções ao coletar dados dos consumidores, onde eles serão utilizados, e a nova mudança na União Europeia evidencia mais ainda essa necessidade. “O primeiro passo dessa mudança foi implementado principalmente pelo GDPR como lei, e obriga que as empresas deixem bem claro que estão coletando os dados do usuário, quais informações são essas e qual é a intenção de utilizá-las; o segundo passo é disponibilizar a possibilidade dos usuários pedirem mais detalhes dos dados que estão sendo coletados e o direito de pedirem a exclusão do seu histórico para as empresas”, destacou o especialista.

Essa legislação já reflete de uma certa maneira no mercado brasileiro, já que vale para todos os anunciantes que trabalham na Europa. Quando falamos de grandes marcas ou até mesmo de agências brasileiras, elas já atuam na Europa e é necessário se adequar às novas regras. Hoje, já existe uma conversa no Senado sobre a possibilidade da criação de leis no Brasil voltadas à gestão de dados de usuários, e o especialista acredita que é só uma questão de tempo para que elas sejam feitas. “Acredito muito que, até pela pressão global e por ser uma questão que agrada os consumidores, até o final do ano haja alguma definição. É de interesse dos brasileiros que isso aconteça logo”, garante.

 

 

Como podemos nos proteger?

Como discutido durante a entrevista, estamos chegando na época de eleições e muitas campanhas e profissionais de marketing fazem parcerias com empresas para monitorar dados dos eleitores. Para Caio, esse gerenciamento de dados já é uma realizada de empresas, agências e de campanhas em eleições há muitos anos. “A diferença é que, agora, as ferramentas estão mais desenvolvidas. Hoje, não só elas estão mais complexas e encorpadas, como temos um volume muito maior de informações. O mercado se desenvolveu, vemos milhares de startups  vindo ao Brasil e abrindo novas formas de mensurar e coletar dados, mas também de aplicar na comunicação, na personalização, e etc”, disse.

O mais importante, para o especialista, é a maturidade de quem está por trás utilizando essas informações. “Todas essas acusações e polêmicas do Facebook em volta de dados hoje, vêm de campanhas de 2008, 2010. Mas agora os consumidores acordaram. Já estamos acostumados e começamos a criticar mais o sentido de utilizar esses dados, e esses assuntos começam a despertar”, reflete.

 

 

Mas o que um usuário pode fazer, afinal, para se protegerem dessa divulgação de dados pessoais e propagandas que é impactado? Caio deu algumas dicas para os internautas:

“O mais importante é entender o benefício que aquela empresa está tentando gerar pra gente. Será que não é melhor a gente receber produtos relacionados ao nosso perfil? Mas em contrapartida, o consumidor pode prestar mais atenção em políticas de privacidade de todas as ferramentas; a segunda camada de proteção é prestar atenção naqueles acordos que concordamos sem ler. Na sessão de privacidade, o usuário pode saber para o que estão usando seus dados e começar a se blindar; e existe um terceiro ponto, que a maior parte das informações atreladas às pessoas, são ligadas através de cookies que não podem ser gravados se você está navegando por uma aba anônima. Se em algum momento você não quiser deixar sua navegação gravada em um cookie da sua máquina, você pode usar uma aba anônima para diminuir um pouco dessa captação”, explicou.

 

 

O programa na íntegra pode ser visto no canal do Youtube da IstoÉ Dinheiro.

Clique para comentar

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Início