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Quais são os impactos e benefícios da LGPD para as empresas?

Entenda quais são as vantagens da nova lei para o seu negócio e quais são os maiores impactos causados por ela

A nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entra em vigor, oficialmente, daqui há 18 meses no Brasil. Durante esse tempo que foi estipulado para que as empresas e órgãos se adaptem, estaremos produzindo diversos conteúdos sobre o tema aqui no nosso blog, então não deixe de acompanhar!

Como vimos anteriormente, a lei traz diversas mudanças para o uso de dados no setor público e no setor privado, com o objetivo de garantir a segurança dos dados dos usuários. Isso significa que, a partir de agora, fica estabelecido que as empresas poderão coletar apenas dados pessoais e identificáveis (como nome, idade, endereço, e-mail, telefone, entre outros) com a autorização clara do titular dessas informações.

A experiência na União Europeia com o Regulamento Geral de Proteção de Dados (ou GDPR, como é chamada), deixa claro que seus impactos são grandes para o mercado. A nova regra altera completamente a forma como as empresas lidam com os dados, já que será preciso demonstrar que a sua empresa atende às condições legais, e a coleta de dados precisa ser relevante para algum propósito. Além disso, o usuário tem direito de cancelar esse compartilhamento de suas informações com uma empresa a qualquer momento, e torna-se ainda mais importante um controle sobre os dados que circulam dentro das empresas, já que uma grande quantidade deles possui informações confidenciais.

 

Quais serão os maiores impactos causados pela lei?

As mudanças que virão com a nova lei irão afetar todas as empresas que trabalham com dados de consumidores – o que abrange, de certo modo, a grande maioria das empresas dos mais diversos segmentos atualmente. Até mesmo o cumprimento dos requisitos básicos para acesso e exclusão de dados representa um grande ônus para algumas empresas, que podem não ter ferramentas para agrupar todos os dados que possuem de um indivíduo. Mas as mais atingidas serão aquelas que detêm e processam diferentes quantidades de dados do consumidor, como empresas de tecnologia, profissionais de marketing e os corretores de dados que as conectam.

Entre todos os impactos que serão causados com a nova regulamentação, podemos destacar alguns principais aspectos que sofrerão alterações, como por exemplo:

  • Abrangência: a lei é extremamente ampla, pois engloba dados de todas as espécies que identifiquem ou tornem uma pessoa identificável. Além disso, deverão obedecer às novas regras todas as empresas que tratem dados pessoais no território brasileiro ou de pessoas localizadas no mesmo, com poucas exceções pontuais;
  • Necessidade de uma base para tratamento de dados: para que uma empresa trate os dados do usuário, será necessária uma base legal, como o consentimento da pessoa;
  • Maiores direitos dos titulares: os titulares dos dados, ou seja, as pessoas as quais as informações se referem, terão um controle muito maior sobre seus dados e com quem eles são compartilhados. Isso significa que ela pode, inclusive, desistir de fornecer suas informações a qualquer momento;
  • Impactos nos negócios: ao estabelecer garantias e responsabilidades para as empresas, a lei terá impacto nos negócios brasileiros e negócios realizados no território com empresas estrangeiras, já que o país terá que atender às exigências de proteção de dados de outros locais, como a UE;
  • Autoridade regulatória: apesar da Autoridade Nacional de Proteção de Dados ter sido vetada pelo presidente Michel Temer por ser inconstitucional, uma nova autoridade será criada separadamente por iniciativa do Executivo para fiscalizar a nova lei e quem está cumprindo-a corretamente.

As consequências virão especialmente para o mundo online, que hoje em dia possui uma quantidade quase infinita de informações disponíveis ao seu alcance. Toda vez que pesquisamos por algo na internet ou realizamos alguma ação, estamos adicionando ao estoque de dados milhares de informações – só nos últimos dois anos, 90% dos dados do mundo foram gerados, de acordo com a Forbes, graças à evolução da tecnologia, da inteligência artificial e da internet, é claro.

Por isso, a partir de agora, é necessário que as empresas tomem um cuidado ainda maior com os dados que estão sendo utilizados por ela – principalmente empresas cujos modelos de negócios dependem da aquisição e exploração de dados de consumo em escala, já que serão as mais afetadas pelas mudanças. Se as empresas confiam no consentimento dos usuários para processar dados, esse consentimento deve ser explícito e informado – e renovado, caso sua utilização mude para outros fins.

Desde maio, quando o GDPR entrou em vigor na Europa, algumas das maiores empresas do mundo têm anunciado atualizações em seus sites para conseguirem cumprir as novas regras. O Facebook, por exemplo, lançou uma série de ferramentas para “colocar as pessoas em maior controle sobre sua privacidade”, unificando suas opções e criando uma ferramenta chamada “acesse suas informações” para permitir que os usuários encontrem, baixem e excluam dados específicos do site. A empresa também fez com que todos os usuários concordassem com os novos termos de serviço, e aproveitou a oportunidade para incentivá-los a optar pela tecnologia de reconhecimento facial.

A Apple revelou um painel de privacidade próprio – embora a empresa tenha deixado claro que, ao contrário de seus concorrentes, ela não coleta muitos dados pessoais e, portanto, não precisava mudar muito para obedecer às novas regras. Já o Google optou por adotar uma abordagem diferente, atualizando silenciosamente seus produtos de privacidade sem chamar atenção para mudanças.

Os usuários, agora, têm o poder de responsabilizar as empresas como nunca tiveram. Se os indivíduos começarem a tirar proveito dessas leis, recusando o consentimento para certos usos de dados, solicitando acesso a suas informações pessoais de corretores de dados ou excluindo suas informações de sites, isso poderá causar um efeito enorme na indústria de dados.

 

Mas quais serão os benefícios da lei para as empresas, afinal?

Se decidirmos olhar pelo lado negativo da nova lei, podemos ver um tempo relativamente curto e grandes custos para a adaptação às novas regras impostas, além de muitas mudanças que, claro, não são fáceis de serem realizadas. No entanto, é possível também olharmos para o lado positivo de toda essa nova regulamentação, já que elas também podem trazer benefícios para as empresas. Alguns desses benefícios são, por exemplo:

1. Maior segurança jurídica:

A lei unifica todas as regras relacionadas à privacidade no país. Além disso, sua criação é essencial para manter o mercado brasileiro “na mesma página” que outros mercados do mundo. Cada vez mais leis específicas para a proteção de dados pessoais estão sendo criadas globalmente, e por isso tornou-se fundamental que o Brasil se adaptasse à essa nova tendência também;

2. Melhor relacionamento com os clientes:

Com a necessidade de explicar exatamente para quais finalidades as informações dos usuários serão utilizadas, a transparência entre o cliente e a marca será cada vez maior, contribuindo para maior credibilidade com o público-alvo. Além disso, uma das principais razões para a criação da lei foi permitir que os usuários passassem mais tempo nos sites que desejam, sem ficarem sobrecarregados com anúncios não solicitados.

É muito mais provável, portanto, que os usuários ou clientes aceitem a participação de organizações e empresas nas quais estejam interessados e que não sejam invasivas na hora da abordagem. Em um futuro próximo, um usuário que compartilha dados com uma organização será aquele que qualificou seu interesse com conversões, tornando-se leal à aquela marca;

3. Segurança cibernética aprimorada:

Levando a sério a privacidade dos dados, é possível estabelecer um fluxo de trabalho ainda mais consciente e seguro. As organizações estão em uma batalha contínua há quase tanto tempo quanto a internet existe. Atualizações de segurança em redes, servidores e infraestruturas têm sido uma fonte primária de proteção cibernética junto com outras alterações de políticas e segurança até recentemente.

A aprovação do GDPR afetou diretamente os padrões de privacidade e segurança dos dados e, ao mesmo tempo, incentivou indiretamente as organizações a desenvolverem e aprimorarem suas medidas de segurança cibernética, limitando riscos de qualquer possível violação de dados. Isso acontece porque a legislação exige que as empresas identifiquem a sua estratégia de segurança e adotem medidas administrativas e técnicas adequadas para proteger os dados pessoais dos cidadãos. Por isso, essas atividades ajudarão a organização a entender melhor o que está acontecendo em sua rede e diminuir a probabilidade de ter que pagar o que algumas empresas consideram um “imposto cibernético”;

4. Melhora no gerenciamento de dados:

Para estar em conformidade, é necessário saber exatamente quais informações confidenciais a empresa tem sobre as pessoas. Por isso, é importante ter uma auditoria de dados e minimizar informações coletadas e mantidas, organizar melhor os armazenamentos e refinar os processos de gerenciamento de dados;

5. Aumento no ROI de marketing:

Com a eliminação de informações irrelevantes que atrapalham o marketing de uma empresa, tais como leads perdidos ou endereços que não existem mais, o banco de dados estará mais organizado com clientes altamente relevantes.

Com essas informações em mãos, o marketing consegue adaptar com maior facilidade suas mensagens de acordo com as necessidades e hábitos específicos de um público claramente definido. Como consequência, veremos um aumento de seu Retorno sob Investimento (ROI), pois os orçamentos e esforços serão gastos de maneira inteligente;

6. Uma nova cultura de negócios pode ser estabelecida:

As empresas estão sempre surgindo com novas culturas, como apoio à comunidade LGBT, apoio às causas animais, apoio às causas ecológicas, entre outras. E então, porque não tornar a sua empresa uma apoiadora à privacidade? As organizações e o público devem pensar em sua marca como uma empresa que pode contribuir para a comunidade, e não apenas consome para se sustentar e crescer;

7. Marketing será valorizado na empresa:

Há uma enorme oportunidade de elevar o perfil do marketing dentro das organizações. Os profissionais da área precisam enfrentar o desafio apresentado pela lei e assumir a liderança no desenvolvimento da cultura de privacidade exigida. Isso deve destacar a sua importância e aumentar a credibilidade da função;

8. Vendas obtém leads mais qualificados:

Como os contatos precisarão optar claramente por receber suas campanhas, somente os clientes em potencial mais envolvidos provavelmente permanecerão em seus bancos de dados. Você estará comunicando apenas aos clientes e prospects mais valiosos, aqueles que realmente querem ouvir e comprar com você.

É possível vermos, portanto, que a lei traz realmente muitas mudanças para as mais variadas indústrias, certo? No entanto, as empresas que souberem se adaptar e aproveitarem a oportunidade para se renovar e ajustar processos, podem acabar se beneficiando da lei, e conseguindo uma vantagem competitiva em relação aos concorrentes.

O que você está esperando? Comece a transformar a maneira como a sua empresa lida com dados a partir de agora!

 

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