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Estratégia digital: novos rumos pro mercado

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Táticas para resolver problemas na publicidade estão cada vez mais ultrapassadas, e ter um planejamento é fundamental. Confira como ter uma boa estratégia na sua empresa

É pressão e correria! Sabemos como vive o mundo da comunicação e do marketing de todos os lados, em agências, startups e empresas. Não tem como mais não estar ligado em performance e em números, sejam eles de vendas ou de views nos vídeos, acabou a mamata do digital de fazer sites lindos que não funcionam em experiência do usuário. É assim que caminha a publicidade e estava na hora mesmo do mercado todo se arrepiar e estruturar processos, pessoas e maneiras de entregar tudo isso porque só é fácil e simples em textos de blog.

Vendemos sempre como profissionais digitais que tudo é uma questão de teste e tentativa, que nem sempre estaremos certos. Sim, sim! Discurso coerente quando se pensa em um mercado novinho e dinâmico, mas difícil de engolir quando você é um cliente e estão testando com sua verba.

O digital é cheio de táticas que vão se reciclando e transformando. Quem está no mercado a mais tempo (ou com mais profundidade independente de tempo) sabe escolher um arsenal de métodos, formas, ideias. Saber o que propor a um cliente na hora de resolver um problema é uma mistura de conhecimento técnico, quilometragem de teste, curiosidade, resiliência e paixão por ir além do que cartilhas mandam (aliás, que cartilhas?). Nem sempre é fácil e voltando ao início do texto, nem sempre o nosso mundão nos dá tempo para pensar como a gente deveria ter. E tudo vira tática atrás de tática.

Aliás, falando de problemas, entendo a palavra com contexto positivo num tom de “no que meu cliente precisa de ajuda”, pois é de buchas que vivemos. Existem os técnicos, os de negócio, os de comunicação, os de encontrar audiência. E agências e empresas passam por isso numa velocidade de segundos. E aí, hein? Como saber como resolver um problema?

A estratégia muda o jogo. É engraçado que quando falo planejamento para as pessoas vem a ideia de um PPT cheio de slides que não resolvem nada. Mas não precisa ser assim. O que precisa virar é o mindset que já deveria estar velho de que planejamento é bullshit, de que criação é só arte, encontrar audiência se resolve apenas com dinheiro, que performance só resolve com mídia e que dados… ah, dados são complicados.

Estar rodeado de táticas que se atropelam diante da pressão, não é ter estratégia alguma. Aliás, se existe incêndio toda hora, tem algo falho a ser visto – apesar de termos nos acostumados a sermos bombeiros desde que nascemos na publicidade/marketing e comunicação.

“Faz aí isso aqui”, “estou descontente mas não sei com o que”, “acho que meus dados não estão bons mas não tenho tempo pra pensar”. Olhar para qualquer frente de comunicação hoje e não enxergar que é preciso “estrategiar”, é ter uma visão míope de que ideia e tática vão salvar os relatórios finais.

 

Mas demora demais pensar e não resolve agora

É verdade! Pensar demora um pouco mais do que sair fazendo pra cumprir prazo. Envolve levantamento de dados, imersão, profundidade, perguntas necessárias, respostas sinceras. E dá pra fazer sem enrolação, entregando cada ponto que é dolorido buscando a luz da solução.

Pensar custa, pagar a conta de pensamento é o que o mercado não está acostumado porque o departamento de compras funciona por linhas de planilha de custos e mais fácil justificar o tático do que o estratégico que não se materializa fácil, sem outras pessoas pensando e trabalhando juntas.

Daí entra essa coisa do demorado e do não resolver. A metodologia do planejamento, da estratégia e das perguntas profundas necessárias podem ser realizadas de forma acelerada, pode ser no papel de pão ou na lousa. O importante é que o valor estratégico somado ao tático no digital nunca esteve tão necessário.

O sucesso de tirar do papel é atender a uma dor do mercado: estratégias sem pé no chão que acabam sendo engavetadas. De nada adianta incluir e se cobrar por inovação sem que o básico esteja feito bem, comprar ideias mirabolantes é um caminho certo de frustração e, confesso, que nosso mercado ama se iludir. Trabalhar com base no cenário atual das empresas e seus gargalos reais acaba sendo fundamental para uma estratégia.

É na estratégia que o mercado deveria mostrar quem é na hora de unir as pontas todas de criatividade, tecnologia, dados, inteligência. Dizer que não dá tempo ou que pensar é desperdiçar tempo de realmente fazer são apenas desculpas que contamos para nós mesmos para não comprarmos a briga, seguindo na zona de conforto e fingindo estarmos no tal processo de “transformação digital”.

 

*Josie Moraes é estrategista digital da Reamp e atua no mercado desde 2003.

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