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A importância do uso de dados na criação de audiências

Uso de dados na criação de audiências

Entenda como são utilizados os nossos dados online na segmentação de público-alvo e quais são as vantagens da estratégia

Quando falamos no uso de dados online, não existe mais segredo: tudo que fazemos no ambiente digital – independentemente do dispositivo que utilizamos – é monitorado! Nossas informações são coletadas e armazenadas de maneiras diferentes, dependendo do que elas dizem sobre o usuário, e mais tarde elas servirão para que uma empresa realize estratégias e campanhas segmentadas de acordo com o seu público-alvo.

No entanto, os recentes escândalos de vazamento de dados de milhares de pessoas que tivemos em 2018, aumentaram a discussão sobre transparência e segurança do usuário. Isso trouxe, inclusive, impactos nas empresas de diversos setores e em novas legislações para controle e acesso a esses dados – o que é o caso das empresas que trabalham com usuários na União Europeia, graças à Regulamentação Geral de Proteção de Dados (GDPR) que protegem os dados do consumidor, e logo se tornará uma realidade também no Brasil, com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) entrando em vigor em fevereiro de 2020.

No setor de publicidade, ainda que a utilização dos dados seja normal e aceita há muito tempo, ainda existem muitas pessoas que não entendem como ela acontece. No entanto, do outro lado dessa história e tentando se adequar às novas regras, a indústria da publicidade não pode ser vista como vilã. Afinal, ela depende dessa coleta de informações para construir sua audiência e oferecer anúncios mais relevantes para cada consumidor, e diversas empresas estão sempre investindo em aprimorar seus mecanismos, oferecendo funções para que o usuário entenda tudo o que a empresa coleta, guarda e sabe sobre ele.

Possuir informações sobre seus clientes é essencial para qualquer estratégia de marketing. Para que isso seja possível no meio digital, hoje em dia, existem diversas tecnologias que facilitam a coleta, armazenamento e análise de dados dos usuários para que dessa maneira a marca crie uma comunicação efetiva com clientes e possíveis clientes.

Além disso, também é necessário entender qual é o seu público-alvo, já que nem todos devem receber o mesmo anúncio e da mesma maneira. No entanto, para descobrir esse tipo de informação sobre as pessoas, devemos trabalhar com bases de dados diferentes. Dados pessoalmente identificáveis (PII’s) como nome, endereço, CPF, e-mail e telefone, por exemplo, são dados que identificam aquele usuário como um ser humano e não podem ser utilizados na entrega de mídia. Esses dados são coletados, anonimizados, armazenados e analisados separadamente de dados comportamentais, que vão segmentar a audiência em grupos por meio de suas preferências e hábitos de navegação, mas não vão identificar exatamente quem é aquela pessoa por trás das informações.

 

Mas porque essa segmentação de público é tão importante, afinal?

O objetivo de empresas e profissionais de marketing é, normalmente, identificar segmentos de mercado para criar suas audiências e se comunicar com aqueles que realmente se beneficiariam do uso de seus produtos e serviços. Simplificando, é melhor restringir uma segmentação aos indivíduos que possuem uma maior probabilidade de se interessarem pelo produto ou serviço que é oferecido pela empresa. A escolha desse público específico é uma forma poderosa de foco e direcionamento dos esforços. Ele não só alcança a audiência de maneira muito assertiva, como também elimina fatores de custos envolvidos ao atingir pessoas que não tem interesse algum em seus produtos e serviços.

Pois é, a abordagem de sete bilhões de pessoas nunca irá funcionar. E isso é claro pois hoje, as pessoas não se sentem bem quando são simplesmente tratadas como “mais um número”. Elas querem acreditar que seu produto ou serviço foi criado para elas, para ajuda-las a resolver algum problema, mesmo que milhares de pessoas também compartilhem da mesma necessidade. E, graças à tecnologia e à enorme quantidade de dados que temos disponíveis, hoje conseguimos realizar esse tipo de estratégia segmentada e muito mais qualitativa!

Inúmeras oportunidades e benefícios são alcançados quando realizamos um marketing segmentado, como por exemplo:

  • Comunicação mais eficaz e direcionada: usuários que realmente não se importam com as soluções da sua empresa não precisam ser impactados pelas suas campanhas. Quanto mais a marca puder definir o seu público, mais fácil será captar a atenção do mercado, o que significa melhores resultados na sua performance final;
  • Trabalho realizado em tempo real: o processo de marketing por dados pode parecer algo muito mais complexo do que realmente é. Graças à tecnologia, hoje podemos utilizar todas as informações que são compartilhadas em tempo real, como por exemplo por meio de mídia programática. Seu processo é baseado em dados e leva em consideração as necessidades de uma audiência para poder transmitir uma mensagem da melhor maneira possível, e está sempre acontecendo de uma forma rápida e ágil;
  • Compra de mídia mais eficiente: a segmentação de audiência é realizada dentro das plataformas de mídia programática. Por meio dos dados coletados, seus algoritmos conseguem executar suas tarefas de maneira mais assertiva. Ou seja, a mídia será entregue e direcionada para o público desejado;
  • Mensagens são mais concentradas: quando você sabe exatamente quem é o seu público-alvo, pode ser muito mais específico nos detalhes. Conversar com “qualquer pessoa” é muito difícil. No entanto, quando você define sua audiência como uma mulher de trinta anos que acabou de descobrir que está grávida, por exemplo, de repente você tem muito mais a dizer para que aquela pessoa se interesse pelo seu conteúdo;
  • Maior lealdade dos clientes: depois de penetrar no mercado-alvo e criar um relacionamento com eles, o marketing passa a funcionar ainda melhor. Isso porque você está se comunicando com pessoas que pensam como a sua empresa e estão felizes em poder compartilhar disso. Ou seja, cada vez mais você estará conquistando clientes fieis e uma maior credibilidade.

 

Uso de dados na criação de audiências

 

Quais são as diferenças de dados existentes?

Já conseguimos entender, portanto, que coletar dados de usuários é fundamental para uma boa estratégia de marketing. O poder desses dados é enorme, já que com ele é possível obter informações dos próprios consumidores, analisa-las e resultar em insights que aumentem o valor da empresa. Mas quais são as estratégias utilizadas para manter esses dados alinhados e como eles são divididos atualmente?

1. Dados First-Party

Os dados de first-party são todas as informações que uma empresa coleta diretamente dos seus consumidores a partir de campanhas de marketing, plataformas de análise de websites, sistemas de CRM, registros em sites, compras por meio de lojas físicas ou e-commerce, entre outros. Além disso, os anunciantes conseguem coletar informações sobre o comportamento dos usuários em seu site e de performance de campanhas de e-mail, display, video, TV, mídia impressa e outras mídias. Na maioria das vezes são baseados em cookies) e obtidos de graça pois vêm diretamente da empresa ou do consumidor, ou seja, são os mais confiáveis. São capturados por meio de pixels colocados em cada página da web, que rastreia a interação do usuário e pode ser sincronizado em tempo real com plataformas de audiências (por exemplo as Data Management Platforms, ou DMPs, como são chamadas) para a compra de mídia programática em Demand-Side Platforms (DSPs).

No geral, os dados first-party são os mais valiosos que uma empresa pode coletar sobre seu público, e torna-se um grande recurso em atividades como segmentação de clientes, estratégias de retargeting e construção de réguas de relacionamento. O retargeting permite que um anúncio seja exibido para pessoas que já visitaram um site anteriormente mas não concluíram uma compra, por exemplo. Essa estratégia consegue trazer mais pessoas de volta ao seu site, melhorando taxas de conversão. Já com o retargeting de CRM, uma empresa consegue ampliar o alcance de seu e-mail e listas de discussão na Web, ao combinar sua lista com um extenso banco de dados online e direcionando seus anúncios especificamente para pessoas dessa lista.

Uma vez que esses dados são coletados, o anunciante pode fazer diversas segmentações de clientes para organizar as informações em audiências ideais. Dessa maneira, é possível criar uma experiência mais personalizada e relevante para cada usuário, entendendo o que eles estão procurando ao acessar um site, no que está interessado, o que não atraiu sua atenção, entre outras possibilidades.

No entanto, mesmo sendo a base para o entendimento da relação de uma empresa com o seu cliente, esse tipo de dado pode ter limitações. Por exemplo, não podem fornecer informações sobre consumidores em diferentes partes de sua jornada que não estejam se relacionando diretamente com os canais da empresa.

 

2. Dados Second-Party

São os dados de uma companhia sendo vendidos para outra empresa, e normalmente são negociados entre parceiros, não provedores de dados abertos de mercado, e extraídos da combinação dos dados primários com dados de terceiros (como por exemplo da audiência de um veículo). Uma marca de tênis de corrida, por exemplo, pode negociar os seus dados com uma marca de roupas de ginástica, permitindo que ambas coletem dados de uma mesma audiência para análise, já que seu público-alvo é o mesmo.

Com uma disponibilidade limitada, esses dados são pagos e, muitas vezes, a empresa não pode utilizar das suas próprias informações. Porém, a grande vantagem dessa nova estratégia é poder receber dados úteis para a marca sem precisar coletá-los, e que podem aumentar a utilidade dos dados first-party quando usados em conjunto.

Além disso, os dados secundários também podem oferecer informações uteis sobre um usuário, como por exemplo a sua frequência em um site de notícias de esporte que pode indicar que ele é fã do segmento.

 

3. Dados Third-Party

São dados de terceiros, ou seja, dados originados de provedores com informações de consumidores que uma empresa não se relaciona diretamente, incluindo seu comportamento e hábitos de navegação e consumo. São dados gerados em outras plataformas a partir de diversas fontes e comprados de um fornecedor externo, permitindo que o profissional tenha acesso à uma grande quantidade de dados.

Adquiridos de inúmeras fontes externas, as empresas de gerenciamento de dados agregam informações de sites na web que mostram interesses em tópicos específicos, com base no comportamento dessas pessoas e, assim, os dados third-party podem ser usados para classificar as pessoas em grupos. Uma DMP pode, por exemplo, mostrar por meio de dados secundários em que ponto de uma campanha os visitantes do site se engajaram mais ou realizaram uma conversão, enquanto dados de terceiros podem categorizar essa pessoa em relação ao seu poder de compra e fase da vida. Esses dados não são apenas digitais e podem representar interações no mundo real, como transações de compra.

A desvantagem desse tipo de dado é que, por estar sempre disponível, concorrentes também podem ter acesso a eles. A competitividade no mercado será de pouca diferença entre as empresas que baseiam-se em dados de terceiros.

 

Como utilizar esses dados?

Nem todos os dados são iguais, e é importante entender a diferença entre seus conjuntos e as possibilidades com cada um deles. Existe uma quantidade quase ilimitada de dados disponíveis para campanhas de marketing, e os avanços na sua gestão permitem atualmente que eles aumentem seu poder de segmentação e impacto, cruzando dados first-party com bases de outras marcas que se relacionam com os mesmos segmentos de consumidores.

Diversas ferramentas permitem uma interpretação melhor de todos esses dados, que podem ser utilizados para entregar uma mensagem mais customizada, conquistando relevância e atingindo consumidores mais propensos a converterem. Além disso, os anunciantes podem observar em que ponto seus diversos públicos estão no ciclo de vida do consumidor e, assim, direcionar mensagens assertivas e tomar decisões.

Atualmente, todas essas informações podem estar integradas em uma única plataforma, onde são coletadas, avaliadas, acionadas e vendidas ou compartilhadas. Privacidade e a segurança são essenciais para garantir a qualidade e anonimidade dos usuários, e uma combinação dos três tipos de dados pode ajudar a construir perfis mais completos e precisos de clientes, criando campanhas mais direcionadas, mais assertivas e com melhores resultados.

 

 

Mas quais são os tipos de dados utilizados na análise e segmentação?

A diferença entre os tipos de dados coletados já está clara. No entanto, além disso, é possível também entendermos como esses dados são classificados na hora da coleta. Essa segmentação tem o objetivo de entender quais são as semelhanças existentes em determinado grupo de consumidores, agrupando esses usuários que estão em busca das mesmas soluções que a sua empresa pode oferecer. De maneira geral, a divisão é realizada da seguinte maneira:

1. Dados demográficos

Normalmente, esse tipo de dado é coletado por empresas que desejam criar um perfil do usuário desde o momento em que ele acessa o site pela primeira vez, com informações como o nome da pessoa, idade, sexo, localização, escolaridade, estilo de vida, renda familiar, entre outros. Por meio deles, é possível descobrir, por exemplo, o número de pessoas que moram em uma determinada região e podem ser consideradas público-alvo do seu produto.

A Dafiti, por exemplo, utiliza a estratégia para pedir informações de gênero dos usuários:

 

 

Neste caso, pedir esse tipo de informação é relevante para que a empresa possa realizar ofertas personalizadas para seus usuários, de maneira que os anúncios sejam direcionados corretamente para o grupo de interesse. Mas, afinal, será que coletar dados demográficos é a melhor opção para descobrir esse tipo de informação? Hoje em dia, a resposta já pode ser não!

Imagine, por exemplo, uma loja de roupas sociais masculinas que tem como público-alvo homens de 35 a 55 anos, que morem no estado de São Paulo e tenham uma renda média. Quando agrupamos todos os homens da faixa etária, localização e estilo de vida dessa maneira, temos a impressão de que todos eles teriam o mesmo interesse na loja de roupas.

No entanto, não levamos em conta dados essenciais como as preferências daquela pessoa, hobbies, desejos, necessidades e hábitos de consumo. Por isso, mesmo que uma pessoa se enquadre nos dados demográficos daquela empresa, realizar uma campanha para impactá-la com os seus anúncios pode acabar sendo uma estratégia nada assertiva, e que traga poucos resultados. No caso da loja de roupas sociais masculinas, por exemplo, nem todos os homens da mesma faixa etária poderiam se interessar em compra-las, certo? Então, por qual motivo a empresa deve fazer uma campanha destinada a uma pessoa que não seria um provável cliente?

Levar em conta informações sobre o comportamento das pessoas é fundamental! Muitas vezes, demograficamente, dois usuários online podem parecer iguais, mas seus desejos e hábitos são completamente diferentes. Por isso, mesmo que pedir essas informações seja útil em muitos momentos, é importante que a marca esteja atenta à outras formas de coleta de dados também.

 

2. Dados comportamentais

Esse tipo de dado vai muito além de informações demográficas de uma pessoa, mas sim, informações sobre suas preferências e principais hábitos de navegação na internet e de consumo. Utilizam, por exemplo, dados sobre o engajamento de um usuário com aquele site, seus interesses no momento baseado com as suas pesquisas online e em qual etapa se encontra no funil de conversão.

Um exemplo é a Zattini, marca que apresentou ao cliente diferentes categorias de produto e, a partir da interação do usuário com cada uma delas, é possível que as campanhas seguintes sejam segmentadas de maneira mais assertiva.

 

 

Com esse tipo de coleta de dados, é possível entender ainda melhor quem é o seu cliente e como você pode impactá-lo. Voltando ao exemplo de loja de roupas sociais masculinas, por exemplo, com os dados demográficos seria possível definir como público-alvo apenas homens com 35 a 55 anos, de São Paulo e com uma renda média. No entanto, coletando dados comportamentais, além dessas informações, é possível segmentar também o seu público para homens executivos que procuram roupas sociais para eventos de trabalho, por exemplo.

Ao contrário do marketing comum, onde uma mesma mensagem é direcionada para um grande número de pessoas, o marketing baseado em dados comportamentais utiliza mensagens onde pesquisa os gostos dos usuários e se adapta diretamente para ele. Existem diversas estratégias que podem ajudar na hora dessa análise e coleta de dados, como análise na web, aplicações de cookies, navegação e histórico de pesquisa por endereços de IP que criem perfis dos consumidores.

 

3. Segmentação psicográfica

Um pouco mais complexa de ser realizada, esse tipo de segmentação divide os usuários em grupos com base no seu estilo de vida, na classe social e na personalidade de cada um. Embora o objetivo da segmentação esteja mais voltado para fazer com que o cliente se interesse pelo seu serviço e realize uma conversão, a segmentação psicográfica também tem o intuito de entender como o seu produto ou serviço se encaixa na vida dos seus clientes.

Coletando dados desse tipo, é possível obter uma compreensão de informações como: o que os seus clientes valorizam na vida; pontos de dor que seus clientes enfrentam; preocupações e hesitações que seus clientes têm em relação ao serviço que você oferece; como você pode ajudar essas pessoas de forma que elas se sintam valorizadas. Ao obter uma compreensão desses aspectos da vida de seus clientes, você poderá ajustar os produtos ou serviços oferecidos para oferecer o máximo de valor ao seu público-alvo. Por sua vez, seus clientes realmente sentirão que seus serviços foram criados apenas para eles e terão muito mais probabilidade de fazer negócios com você no futuro.

 

Existem alguns aspectos essenciais na hora de realizar uma segmentação psicográfica, como por exemplo:

  • Traços de personalidade: muitas vezes, profissionais de marketing criam uma personalidade para a sua empresa que corresponda aos traços de personalidade mais atraentes para o público-alvo. Quando o consumidor pode se relacionar com as características de uma marca, produto ou serviço, é mais provável que se envolva com ele. Aprender sobre os traços de personalidade de seu público como suas crenças, moral, motivações, visões de vida e características como timidez, seriedade, agitação e etc, pode ajudar a empresa a refinar sua personalidade de merca para uma audiência mais comprometida e fiel;
  • Estilo de vida: todos nós temos diferentes padrões de estilo de vida que refletem muitos fatores, incluindo nosso momento atual. Nossos desejos e necessidades mudam com base nesses padrões, e a segmentação por estilo da vida considera aonde o cliente está em seu ciclo de vida e o que é importante para eles naquele exato momento. Dessa maneira, é possível promover seus produtos e serviços como soluções para esses problemas. É importante ressaltar que, embora essa abordagem seja geralmente aplicada ao B2C para produtos de consumo, ela também pode ser aplicada ao B2B com base nas características do ciclo de vida da empresa;
  • Opiniões, atitudes, interesses, hobbies: analisa fatores com opiniões sobre religião, gênero, política, visões sobre o meio ambiente, atividades esportivas e recreativas e questões culturais e artísticas. As opiniões do público e as atividades que fazem parte têm um enorme impacto nos produtos e serviços que compram, e até mesmo em como eles respondem às suas mensagens. Esta é uma área rica de oportunidades no marketing, principalmente no marketing de conteúdo e em mídias sociais, já que uma empresa pode utilizar essas estratégias para promover experiências boas para o cliente;
  • Classe social: essa abordagem de segmentação cruza com várias outras, incluindo dados demográficos e estilo de vida. Como existe um forte componente psicológico na necessidade de uma pessoa manter padrões de classe social, isso pode ser um componente muito poderoso de segmentação. Pode ser usada quando há uma conexão direta entre o interesse e o consumo de seus produtos e serviços diretamente com um status social.

Considere como exemplo uma empresa que fabrica carros de luxo de alta qualidade. Esse é um produto que não pode ser oferecido por pessoas de todas as classes sociais, já que somente os indivíduos que se enquadram em grupos de alta renda são clientes ou prováveis clientes desse produto. Essa é a principal base de segmentação para o fabricante.

Dentro da faixa de alta renda, o fabricante de carros deve agora decidir como proceder no processo de segmentação. Para isso, ele deve analisar os hábitos e estilos de vida de seus clientes atuais e até mesmo dos clientes das empresas concorrentes. Dessa maneira, ele verá que alguns dos clientes utilizam esses carros de luxo como símbolo de status, alguns utilizam todos os dias e outros apenas para viagens de longa distância. Entender o uso de um determinado veículo ajuda a fornecer a base para a sua comercialização. Por isso, os usuários que preferem longas viagens serão impactados com propagandas mostrando a eficiência do combustível do veículo; os que utilizam por status serão informados sobre a sua excelente aparência e prestígio do modelo do carro e da marca, e as pessoas que os utilizam todos os dias serão informadas sobre o espaço interior, a manipulação, o sistema de travagem, entre outros aspectos.

Graças à segmentação psicográfica realizada anteriormente, é possível entender alguns aspectos dos clientes que permitem destacar a parte do produto ou serviço que mais agrada um determinado grupo de clientes, contando à eles a característica do produto e como ele o beneficiará.

 

4. Segmentação geográfica

A segmentação geográfica é um processo de agrupar clientes com base no local onde eles vivem. As empresas segmentam seu mercado-alvo geograficamente quando precisam se concentrar em uma área específica, e tendem a otimizar as estratégias de marketing de um negócio combinando produtos e serviços para diferentes regiões, cidades e países onde os clientes moram. Todos esses parâmetros ajudam as empresas a segmentarem geograficamente mercados onde clientes específicos ou mais compradores de seus produtos estão presentes. Isso fornece uma direção eficaz para atividades de marketing em direção às áreas que mais beneficiam.

Geralmente, esse tipo de segmentação é praticado por organizações que trabalham em larga escala, como multinacionais. Elas precisam reformular programas de marketing para atrair clientes de diferentes unidades geográficas, e são projetados após estudos e avaliações cuidadosas. O que pode acontecer, também, é que produtos e técnicas de publicidade ou meios de promoção variem de acordo com as diferentes unidades geográficas, e por isso é necessário adaptar sua estratégia de relacionamento com o público. No entanto, pequenas empresas também utilizam para se concentrarem na comercialização de seus produtos e para criar estratégias que ampliem o orçamento e a sua base de clientes.

Uma organização empresarial global especializada em vestuário pode, por exemplo, dividir o seu mercado com base no clima. Além das mudanças climáticas de uma região para a outra, o status econômico e as preferências culturais dos clientes também devem ser consideradas. Portanto, existem diversas variáveis de segmentação geográfica em marketing, como por exemplo:

  • Clima: uma empresa que vende equipamentos para chuva e roupas de verão deve considerar as mudanças climáticas enquanto comercializa esses produtos. Ela precisa se concentrar em vender roupas de chuva em regiões chuvosas e roupas de verão em lugares com clima quente. Essa estratégia se aplica principalmente para vendedores, que têm clientes de vários locais com diferentes condições climáticas;
  • População: certos produtos são comercializados com base na densidade populacional em diferentes locais, ou baseada na população de uma área específica. Cidades de alta densidade, como São Paulo e Nova York, criam uma demanda maior por produtos como refeições prontas para consumo. Justamente por saberem a necessidade da população, redes de fast food são facilmente encontradas em tais cidades; outro exemplo podem ser salões de beleza locais, que direcionam seus serviços e produtos para a população de determinada área, como as pessoas que vivem nas suas proximidades;
  • Preferências culturais: o Mc Donald’s, empresa de fast foods, serve cerveja em suas lojas alemãs. No entanto, a cerveja não faz parte do cardápio em suas lojas nos EUA. Isso reflete as preferências alimentares de diferentes culturas, que pode ser diferente e a empresa precisa saber se adaptar aos costumes daquele lugar;
  • Áreas urbanas e rurais: os produtos que atendem às diferentes necessidades e desejos das pessoas de áreas urbanas e rurais adotam esse tipo de segmentação para transmitir suas mensagens aos clientes em potencial. Por exemplo, uma empresa de detergentes irá comercializar seu produto de baixo custo em áreas rurais, já que o poder de compra nessa região é menor e as pessoas estão mais interessadas em produtos de alta qualidade e baixo custo. Da mesma forma, em áreas urbanas, os clientes preferem que seus detergentes sejam de alta qualidade, perfumados e tenham outras características específicas, mesmo que custem um pouco mais do que outros quase equivalentes. Dessa maneira, as empresas vendem seus produtos de baixo custo para áreas com menor poder aquisitivo e seus produtos de alto custo para áreas com maior poder aquisitivo.

O Mc Donald’s divide seu mercado em segmentos geográficos, como em diferentes países, estados, regiões e cidades. A empresa incorpora a comida local em seu cardápio e serve em diferentes locais com menus personalizados. Em vez de utilizar carne bovina na Índia, por exemplo, os hambúrgueres são feitos de frango ou são vegetarianos; no México, mais molho de pimenta é utilizado do que em outros lugares; o Maharaja Mac Burguer (Big Mac) sem carne de porco foi criado especialmente à população muçulmana hindu; já no Brasil, temos a torta de banana. Todas essas adaptações são feitas de acordo com os costumes e preferências locais, que são segmentadas de acordo com a região em que moram.

A rede de fast food KFC também tem presença internacional e possui vários pontos de vendas em diferentes países. Tendo em vista a necessidade geográfica dos clientes, vende produtos para atingir o público-alvo no mundo inteiro. No sul da Índia, por exemplo, os pratos vegetarianos são os mais vendidos, enquanto no norte se concentram os produtos de frango.

Como podemos ver, existem diversas maneiras de segmentar seu público para elaborar estratégias que possam atraí-lo de maneira mais assertiva. É importante ressaltar que, para que uma marca realize estratégias com resultados positivos, é sempre necessário ter um objetivo a partir da sua campanha e coletar e analisar dados fornecidos por usuários para que esses objetivos sejam alcançados.

Hoje em dia, o consumidor está cada vez mais exigente e eclético, com diferentes desejos, necessidades e hábitos de consumo. Por isso, é essencial conhecer a sua audiência, coletar seus dados e entender qual tipo de segmentação e estratégia pode trazer mais resultados e performance para o seu negócio.

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